Terça-feira, Junho 2, 2026
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“EU TAVA NADANDO PRA MORTE”: BRUNA RELATA ALUCINAÇÕES E DESESPERO APÓS 42 HORAS À DERIVA NO MAR


A estudante Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, de 26 anos, sobrevivente do drama em alto mar que terminou com a morte de Dheorge Pereira Bernardino, relatou os momentos de medo, exaustão e alucinação que viveu enquanto ficou cerca de 42 horas à deriva no Litoral Norte de São Paulo. Em entrevista ao programa “Domingo Espetacular”, da TV Record, ela contou que a moto aquática em que estava com Dheorge apresentou pane, afundou e deixou os dois apenas com coletes salva vidas em meio ao mar aberto.

O relato de Bruna expõe a dimensão do desespero vivido longe da costa. Segundo ela, o frio, a sede, o cansaço e a falta de perspectiva transformaram as horas no mar em uma luta pela sobrevivência. Depois de mais de 24 horas à deriva, a jovem afirmou que começou a ter alucinações. Em um dos momentos mais fortes da entrevista, Bruna disse que ouvia vozes chamando seu nome e chegou a acreditar que via um barco no escuro. Ao nadar na direção da imagem, percebeu que não era socorro. Era uma montanha com uma nuvem branca atrás. “Eu tava nadando pra morte”, contou.

Bruna e Dheorge desapareceram no domingo, 24 de maio, após saírem em uma moto aquática na região da Praia da Ponta das Canas, em Ilhabela. Eles estavam com um grupo de amigos em uma lancha quando seguiram em direção ao alto mar. De acordo com o relato da estudante, a moto aquática apresentou pane pouco depois que os dois saíram do campo de visão dos amigos. Sem conseguir retornar, eles deixaram o veículo e entraram na água usando coletes salva vidas.

A jovem contou que, no início, a ilha ainda parecia próxima. Por isso, sugeriu que os dois tentassem nadar até a costa. Bruna e Dheorge chegaram a amarrar os coletes um ao outro antes de entrar no mar. A tentativa, porém, foi vencida pela distância, pela correnteza e pelo avanço do cansaço. Aos poucos, a moto aquática começou a afundar, e os dois ficaram sozinhos em alto mar, dependendo apenas dos coletes e da esperança de serem encontrados.

Na entrevista, Bruna descreveu que chorou, entrou em desespero e pensou várias vezes que morreria. Ela afirmou que não queria ficar ali e que só queria voltar para casa. O tempo, segundo ela, parecia não passar. A estudante contou que a sensação era de estar presa em um pesadelo sem fim. “Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes”, disse.

As esperanças se renovaram na manhã seguinte, quando Bruna e Dheorge viram os primeiros helicópteros. Mesmo assim, o resgate não aconteceu naquele momento. A jovem afirmou que chegou a dormir ou desmaiar algumas vezes e, por isso, não sabe exatamente em que momento o amigo desapareceu. A partir dali, a sobrevivente passou a enfrentar sozinha o frio, a desidratação, a dor no corpo e as alucinações causadas pelo desgaste extremo.

Bruna foi encontrada por um pescador cerca de 42 horas depois do desaparecimento, a aproximadamente 30 quilômetros do ponto onde havia sumido. Ela recebeu atendimento por hipotermia, foi levada ao hospital e ficou internada até a terça-feira, 26. Mesmo no momento em que foi resgatada, a primeira preocupação dela foi com Dheorge. Segundo Bruna, ao ser retirada do mar, pediu que fossem atrás do amigo, dizendo que ele ainda estava em alto mar.

O corpo de Dheorge foi encontrado na segunda-feira, 1º de junho, boiando perto da Praia do Poço, em Ilhabela, com sinais de permanência prolongada no mar. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Caraguatatuba para exames e confirmação oficial da causa da morte. A irmã de Dheorge apontou que o corpo encontrado era dele.

Após a localização do corpo, Bruna publicou uma mensagem nas redes sociais desejando conforto aos familiares de Dheorge. O caso, que começou como um passeio no mar, terminou marcado por uma sobrevivência considerada extrema, pela dor de uma família em luto e por perguntas sobre a sequência de fatos que levou os dois jovens a ficarem à deriva depois da pane na moto aquática.

A história de Bruna ficou marcada pela resistência física e emocional diante de uma situação limite. Ela enfrentou frio, sede, cansaço, alucinações e a incerteza sobre o próprio destino até ser encontrada com vida. Dheorge, que estava com ela no início da travessia desesperada, não sobreviveu. A apuração sobre as circunstâncias do caso segue em andamento.

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