SUSPEITO DE ENFORCAR E ESPANCAR EX COMPANHEIRA SE ENTREGA À POLÍCIA EM VARGEM APÓS DIAS FORAGIDO
Depois de dias sendo procurado pela polícia, Renato Caetano Muller Vieira, de 31 anos, suspeito de tentar matar a ex companheira em um ataque brutal na zona rural de Vargem, se entregou na manhã desta sexta-feira, 22. Ele estava foragido desde o dia 12 de maio, quando Gabriele Helena Soares, de 28 anos, foi espancada, enforcada e socorrida em estado grave. O caso, investigado como tentativa de feminicídio, ganhou ainda mais gravidade porque a filha da vítima, uma criança de apenas 5 anos, teria presenciado as agressões e pedido socorro em meio ao desespero.
A prisão preventiva de Renato havia sido decretada pela Justiça no dia 13 de maio, um dia após o crime. Desde então, ele era considerado foragido. Com a apresentação à polícia, o mandado judicial foi cumprido, e o suspeito permanece preso enquanto a investigação avança. A prisão preventiva não tem prazo determinado para encerramento e é utilizada como medida cautelar durante a apuração.
A violência contra Gabriele foi registrada após ela dar entrada no posto de saúde de Vargem com múltiplos ferimentos. Segundo o boletim de ocorrência, a mulher apresentava hematomas pelo corpo, cortes no rosto, sinais de espancamento e suspeita de trauma craniofacial. O prontuário médico também apontou que ela estava confusa e desorientada, quadro compatível com a gravidade das agressões sofridas.
De acordo com a investigação, Renato é ex companheiro da vítima e não aceitava o fim do relacionamento. Gabriele relatou à polícia que já vinha sofrendo ameaças e agressões anteriores. No dia do ataque, conforme o registro policial, ela teria sido atingida com socos e chutes e também enforcada pelo suspeito, em uma sequência de violência que quase terminou em morte.
O crime teria ocorrido na presença da filha da vítima. Segundo depoimentos de familiares à polícia, a criança viu a mãe ser agredida, pediu ajuda e ficou em estado de choque. A presença da menina durante o ataque tornou o caso ainda mais traumático para a família e deve ser considerada no andamento da investigação, já que ela foi exposta a uma cena extrema de violência doméstica.
A agressão só teria sido interrompida com a intervenção de familiares. Um tio de Gabriele relatou aos investigadores que precisou agir junto com o pai da vítima para impedir que Renato continuasse as agressões. De acordo com o depoimento, os familiares conseguiram proteger a mulher e escondê-la dentro da residência até a chegada do socorro.
Após o atendimento inicial no posto de saúde, Gabriele precisou ser internada em estado grave. A suspeita de trauma craniofacial, os hematomas, os cortes e os sinais de enforcamento reforçaram a gravidade do caso. A Polícia Civil passou a tratar a ocorrência como tentativa de feminicídio, crime relacionado à tentativa de matar uma mulher em contexto de violência doméstica, familiar ou por condição de gênero.
A entrega de Renato à polícia encerra a fase de buscas, mas não o trabalho de investigação. A Polícia Civil ainda deverá aprofundar os depoimentos, reunir documentos médicos, ouvir familiares, analisar o histórico de ameaças e esclarecer toda a dinâmica do ataque. Também deve ser apurado se houve descumprimento de medidas protetivas, ameaças anteriores formalizadas ou outros registros envolvendo o suspeito e a vítima.
A defesa de Renato Caetano Muller Vieira foi procurada, mas não houve resposta até a divulgação das informações. Com o suspeito preso, o caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá concluir a apuração e encaminhar os elementos ao Poder Judiciário.
A prisão do suspeito representa um avanço na busca por responsabilização em um caso marcado por violência extrema, medo e trauma familiar. Para Gabriele, que sobreviveu ao ataque, e para os parentes que presenciaram o desespero daquela noite, a investigação ainda precisa responder todos os detalhes sobre o crime que quase tirou sua vida.


