Quarta-feira, Maio 20, 2026
Manchete

MARCO AURÉLIO: DESAPARECIMENTO NO PICO DOS MARINS SE APROXIMA DE 41 ANOS COMO UM DOS MAIORES MISTÉRIOS DO BRASIL


Uma trilha, uma decisão de poucos minutos e um desaparecimento que atravessou quase quatro décadas sem resposta. No dia 8 de junho de 1985, o escoteiro Marco Aurélio Simon, então com apenas 15 anos, subiu o Pico dos Marins, em Piquete, na Serra da Mantiqueira, acompanhado do chefe escoteiro Juan Bernabeu e de outros três colegas. Ele nunca mais voltou. Agora, às vésperas de o caso completar 41 anos, a pergunta que marcou a família, os investigadores e toda a região volta a ecoar com a mesma força: o que aconteceu com Marco Aurélio?

O desaparecimento começou durante uma expedição que deveria ser apenas mais uma atividade escoteira. Segundo a investigação, um dos adolescentes do grupo, Osvaldo Machado, se machucou durante a subida. Foi nesse momento que Marco Aurélio teria decidido seguir sozinho até a base da montanha para pedir ajuda. A partir daí, o adolescente desapareceu entre pedras, trilhas, mata fechada, neblina e silêncio. Nenhum pedido de socorro foi ouvido. Nenhum vestígio definitivo foi encontrado. Nenhuma explicação conseguiu encerrar a angústia da família.

O caso mobilizou buscas, ganhou repercussão nacional e se tornou um dos desaparecimentos mais conhecidos do país. O Pico dos Marins, um dos pontos mais altos do estado de São Paulo, deixou de ser apenas um destino de aventura e passou a carregar também o peso de uma ausência. Para a família Simon, o tempo nunca foi capaz de fechar a ferida. Para a investigação, o caso permaneceu sem uma resposta definitiva. Para a memória popular, Marco Aurélio virou o retrato de um mistério que resiste ao passar dos anos.

Ao longo das décadas, a história foi cercada por dúvidas, suspeitas e versões conflitantes. Juan Bernabeu, chefe dos escoteiros na expedição, chegou a ser considerado o principal suspeito à época, mas o desaparecimento jamais foi solucionado. A falta de um corpo, de provas conclusivas e de uma versão capaz de explicar o que ocorreu naquele dia manteve o caso vivo, como uma ferida aberta na história de Piquete, do Vale do Paraíba e do escotismo brasileiro.

A proximidade dos 41 anos reacende também a lembrança da luta de Neuma Simon, mãe de Marco Aurélio, que dedicou parte da vida à busca pela verdade. Fitas gravadas pela família, retomadas em produções recentes sobre o caso, mostram uma mãe tentando reconstruir cada detalhe do desaparecimento do filho. Em uma dessas gravações, feita cerca de um mês após o sumiço, Neuma conversa com Juan sobre a possibilidade de Marco Aurélio ter chegado até a base da montanha. É o registro de uma dor que nunca encontrou descanso.

O pai do escoteiro, Ivo Simon, também manteve viva a esperança de encontrar respostas. Segundo o diretor Marcelo Mesquita, responsável pelo documentário “Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio”, Ivo queria que o projeto audiovisual funcionasse como um grande cartaz de “procura-se”, uma tentativa de levar a história novamente ao público e, quem sabe, alcançar alguém que soubesse de algo ainda não revelado.

Mesmo tantos anos depois, o caso não ficou preso apenas ao passado. Nos últimos anos, a polícia voltou a realizar buscas na região do Pico dos Marins com apoio de cães farejadores, drones com radar, sensores e inteligência artificial, após receber informações de que o corpo do adolescente poderia ter sido enterrado próximo à montanha. Apesar das escavações, das diligências e das análises da Polícia Técnico-Científica, nenhum vestígio foi encontrado até agora.

O desaparecimento de Marco Aurélio Simon se aproxima de mais um aniversário sem conclusão. São quase 41 anos de espera, perguntas repetidas, lembranças preservadas e uma família que nunca teve o direito de se despedir. A montanha segue imponente, silenciosa e cercada de mistério, enquanto o caso continua ecoando como um dos maiores enigmas brasileiros. O menino que saiu para pedir ajuda nunca retornou, e o Pico dos Marins permanece guardando uma resposta que o tempo ainda não revelou.

Escoteiro Marco Aurélio Simon – Foto: Arquivo pessoal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!