ENTRE A SAUDADE E A ESPERANÇA, MÃE BUSCA FILHO DESAPARECIDO HÁ TRÊS ANOS EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Enquanto milhares de famílias celebraram o Dia das Mães com abraços, homenagens e reencontros, Sueli Leme do Nascimento viveu mais uma vez o peso de uma ausência que não passa. Moradora de São José dos Campos, ela procura há três anos pelo filho, Décio de Castro Santos, desaparecido desde 18 de janeiro de 2023. Hoje, o jovem teria 27 anos. Para Sueli, a data que costuma simbolizar amor e presença se transformou em mais um dia de saudade, silêncio e perguntas sem resposta.
Décio desapareceu poucos dias depois de conquistar uma bolsa de estudos de 100% para um cursinho preparatório de Medicina, sonho que carregava desde a adolescência. Segundo a família, ele lutava contra a depressão havia mais de três anos e fazia acompanhamento psicológico semanal em uma unidade do Caps, Centro de Atenção Psicossocial, em São José dos Campos. O jovem tentava seguir em frente e se aproximar do sonho de estudar Medicina quando desapareceu de forma repentina, deixando a mãe mergulhada em uma dor que se renova a cada dia.
O apelo de Sueli revela a angústia de quem nunca deixou de esperar pelo filho. “Filho, eu queria tanto te abraçar, mesmo longe. Quero que saiba que penso em você o tempo todo. Você é o meu maior presente, e eu daria tudo para ter um momento ao seu lado agora. Te amo demais!”, declarou a mãe, em uma mensagem carregada de amor, saudade e desespero.
Na manhã do desaparecimento, Sueli saiu para trabalhar e recebeu diversas ligações de Décio ao longo do dia. Quando voltou para casa, à noite, percebeu que o filho havia saído apenas com a roupa do corpo e o celular. Antes de desaparecer, ele ainda realizou uma transferência bancária. Durante a madrugada, a mãe notou uma ligação perdida feita por ele horas antes. Ao retornar a chamada, o telefone já caía na caixa postal. Desde então, Décio nunca mais fez contato.
A falta de respostas tornou a espera ainda mais dolorosa. Para Sueli, o silêncio do filho não combina com a relação que os dois mantinham. Segundo ela, Décio falava com a mãe todos os dias, o que aumenta a desconfiança da família sobre as circunstâncias do desaparecimento. A mãe afirma que precisa descobrir o que aconteceu e cobra uma apuração mais profunda sobre os últimos passos do jovem.
Diante da ausência de avanços conclusivos nas investigações, a família decidiu contratar um advogado para tentar reabrir e aprofundar o caso. Mesmo desempregada, Sueli conseguiu reunir recursos para buscar novas diligências. Segundo ela, um casal que esteve com Décio no dia do desaparecimento foi ouvido novamente pela Polícia Civil, e os depoimentos teriam apresentado contradições.
Mensagens encontradas no WhatsApp Web de Décio indicam que ele esteve com uma amiga e o namorado dela no dia 18 de janeiro de 2023. De acordo com a família, os três passaram por bairros de São José dos Campos e, durante a madrugada, foram realizadas diversas transferências bancárias da conta do estudante para o casal. Depois disso, também teria sido solicitado o encerramento da conta bancária de Décio.
O casal confirmou à polícia que encontrou o jovem, mas afirmou que ele teria ido embora sozinho de carro. A família não acredita nessa versão. Sueli afirma que a última localização do celular do filho foi registrada na casa desse casal. Segundo ela, rastreamentos feitos por meio do notebook e de aplicativos indicam que Décio não teria saído de São José dos Campos.
Ao longo dos últimos três anos, diferentes pistas chegaram até a família, mas nenhuma trouxe uma resposta definitiva. Uma delas apontava que o celular do estudante estaria na região da Cracolândia, em São Paulo. Movida pela esperança de encontrar o filho, Sueli viajou até a capital paulista após relatos de que um rapaz parecido com Décio teria sido visto no local, mas a busca não resultou em nenhuma pista concreta.
Outra linha envolve o uso do CPF de Décio em uma linha telefônica registrada em Itabuna, na Bahia. Segundo Sueli, a operadora informou que o cadastro foi feito de forma incompleta e sem a presença física do titular. Ela chegou a ligar para o número, mas a pessoa que atendeu afirmou ser de Santa Catarina e disse nunca ter ouvido falar de Décio. A Polícia Civil informou à família que tentaria contato com autoridades da Bahia, mas, até o momento, não houve retorno conclusivo sobre essa informação.
Com o passar do tempo, a esperança de reencontrar Décio com vida passou a conviver com o medo de uma notícia definitiva. Ainda assim, Sueli afirma que não consegue parar de procurar. Para ela, qualquer resposta seria um passo para encerrar uma angústia que parece não ter fim. “Completou três anos que ele desapareceu. Preciso descobrir o que realmente fizeram com ele. Eu não acredito que ele esteja vivo, porque ele falava comigo todos os dias. Só queria encontrar o corpo dele e encerrar essa angústia”, disse.
A dor de Sueli é a dor de uma mãe que vive presa ao último telefonema não atendido, às mensagens antigas e às perguntas que ninguém conseguiu responder. Três anos depois, ela segue pedindo ajuda, cobrando investigação e mantendo viva a memória do filho. Para a família, cada informação pode ser decisiva para esclarecer o desaparecimento de Décio de Castro Santos.
Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Décio pode entrar em contato com a Polícia Militar pelo telefone 190.


