Sábado, Maio 9, 2026
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CAROLINA FERREIRA AFIRMA SER MAIOR QUE A VIOLÊNCIA QUE SOFREU E COBRA JUSTIÇA EM CASO QUE REPERCUTE NA UNESP DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Carolina Ferreira, de 21 anos, estudante que acusa um professor da Unesp de São José dos Campos de violência sexual, publicou um texto nas redes sociais em que falou sobre dor, coragem, exposição pública e esperança de justiça. A manifestação foi feita no dia de seu aniversário e ocorre em meio à repercussão do caso, que ganhou alcance nacional e abriu espaço para que outras estudantes também relatassem episódios de assédio e abuso no ambiente universitário.

Na publicação, Carolina afirmou que ainda se reconhece como uma menina feliz, sensível, cheia de sonhos e que ama viver, apesar da dor. A estudante relatou que a violência sofrida afetou diretamente sua vida, levando-a a deixar a universidade e a adiar o sonho de se tornar dentista. A denúncia foi feita publicamente há cerca de duas semanas, por meio de um vídeo nas redes sociais. Segundo Carolina, o crime teria ocorrido em 2023, quando ela tinha 18 anos.

Ao comentar a repercussão da denúncia, a jovem afirmou que os últimos tempos tomaram proporções que ela nunca imaginou. Carolina citou o impacto de ver seu nome na imprensa, ouvir pessoas falando sobre sua história e lidar com a exposição pública. Segundo ela, todo esse processo foi assustador, mas também libertador, porque pela primeira vez conseguiu falar sobre o que havia vivido e deixou de carregar sozinha o peso da violência que afirma ter sofrido.

No texto, Carolina destacou que não quer ter sua vida resumida ao episódio denunciado. “Eu sou muito mais do que a violência que sofri”, escreveu. A estudante afirmou que, no aniversário, escolheu celebrar a coragem de sobreviver, denunciar e continuar existindo. A frase ganhou repercussão nas redes sociais e passou a simbolizar a forma como a jovem tem tentado reconstruir a própria trajetória após tornar o caso público.

Carolina também usou uma imagem simbólica para falar sobre o momento que vive. Ela mencionou as rosas cor-de-rosa, que sempre foram suas flores favoritas, e afirmou que talvez goste delas porque, mesmo delicadas, continuam florescendo. A estudante comparou essa imagem à própria vida e disse se sentir tentando florescer novamente depois da tempestade.

A publicação foi encerrada com um pedido de justiça. Carolina afirmou que espera que seu maior presente seja ver a justiça sendo feita. Enquanto isso, disse que segue tentando reencontrar a menina feliz que sempre existiu dentro dela. A mensagem teve grande repercussão entre estudantes, apoiadores e pessoas que passaram a acompanhar o caso desde a denúncia divulgada nas redes sociais.

A acusação feita por Carolina mobilizou centenas de estudantes da Unesp de São José dos Campos. Na última segunda-feira, dia 4, alunos se reuniram para prestar solidariedade à jovem e cobrar providências da universidade diante das denúncias. O ato também levantou questionamentos sobre segurança, acolhimento e protocolos internos para casos de violência sexual, assédio e abuso no ambiente acadêmico.

O caso também provocou reação fora da universidade. Parlamentares federais e estaduais encaminharam ofícios cobrando apuração e rigor na condução do caso por parte da Unesp. A repercussão ampliou o debate sobre a responsabilidade das instituições de ensino no acolhimento de vítimas e na apuração de denúncias envolvendo professores, alunos e servidores.

Após a denúncia de Carolina, outras estudantes também passaram a relatar episódios de assédio, o que ampliou a dimensão do caso e reforçou a cobrança por medidas institucionais. As manifestações seguem voltadas à apuração dos fatos, à responsabilização dos envolvidos e à adoção de ações que garantam proteção e acolhimento às estudantes dentro da universidade.

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