RELATOS DE MÃES SOBRE PARTOS NO HMUT EM TAUBATÉ VIRAM DENÚNCIA E CHEGAM AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Um grupo de mães denuncia possíveis casos de violência obstétrica no Hospital Municipal Universitário de Taubaté, o HMUT, em uma situação que vem provocando forte repercussão no município e levantando questionamentos sobre a forma como gestantes e puérperas teriam sido atendidas dentro da unidade. Os relatos, que passaram a circular também nas redes sociais, apontam episódios considerados graves pelas famílias, envolvendo falta de acolhimento, ausência de informações claras, suspeitas de negligência, agressões físicas, procedimentos sem autorização adequada e possíveis lesões em bebês durante o parto.
As denúncias estão sendo encaminhadas ao Ministério Público e passaram a ganhar força a partir do momento em que mulheres começaram a expor publicamente experiências traumáticas vividas no hospital. Para as mães, o que deveria ser um momento de cuidado, segurança e proteção acabou se transformando em uma lembrança marcada por medo, dor e insegurança. Os relatos indicam que algumas pacientes teriam se sentido desamparadas durante o atendimento, sem receber explicações suficientes sobre os procedimentos realizados, sobre a evolução do parto ou sobre as condutas adotadas pela equipe responsável.
Um dos casos mais recentes teria ocorrido no dia 28 de abril e envolve uma paciente que, segundo a família, ainda enfrenta dificuldades na recuperação após o parto. De acordo com Débora Prudente, irmã da mulher atendida na unidade, a paciente passou a apresentar limitações para andar, tomar banho sozinha e cuidar da filha recém-nascida. A situação aumentou a preocupação dos familiares, que afirmam não terem recebido respostas suficientes sobre o atendimento prestado e sobre as consequências físicas enfrentadas pela mãe após deixar o hospital.
A família também relata que uma laqueadura teria sido realizada sem a devida autorização no momento do procedimento. A suspeita é considerada uma das partes mais delicadas da denúncia, já que envolve uma decisão definitiva sobre o corpo da paciente e exige consentimento claro, formal e consciente. Os familiares cobram esclarecimentos sobre como o procedimento teria sido conduzido, quais autorizações foram apresentadas e se todos os protocolos foram devidamente cumpridos durante o atendimento.
Ainda conforme o relato de Débora, a paciente recebeu alta médica utilizando sonda, mas precisou retornar ao hospital depois que o equipamento apresentou problemas e passou a causar fortes dores. O episódio, segundo a família, agravou o sofrimento da mulher e reforçou a sensação de que o acompanhamento após o parto não teria sido feito de forma adequada. Para os familiares, a situação precisa ser apurada com rigor, principalmente por envolver uma mãe em período de recuperação e uma recém-nascida que depende diretamente dos cuidados maternos.
Outra mulher, que preferiu não se identificar, também relatou ter vivido momentos traumáticos durante o atendimento no HMUT. Segundo ela, além das dores e da tensão natural do parto, houve falta de acolhimento e ausência de explicações adequadas por parte de profissionais da unidade. O relato reforça a preocupação de outras mães que passaram por experiências semelhantes e agora buscam apoio para que os casos sejam investigados pelas autoridades competentes.
As denúncias também mencionam suspeitas de agressões físicas e possíveis fraturas em bebês durante o parto, pontos que ainda dependem de apuração oficial. Por envolverem recém-nascidos e mulheres em situação de extrema vulnerabilidade, os relatos ganharam grande sensibilidade pública. Familiares afirmam que o objetivo não é apenas cobrar respostas individuais, mas também evitar que outras mães passem por situações semelhantes durante o atendimento obstétrico.
Diante da repercussão, o Grupo Chavantes, responsável pela gestão do HMUT, informou em nota que tomou conhecimento dos relatos e que irá abrir uma sindicância interna para apurar os fatos. A instituição afirmou que a investigação seguirá protocolos técnicos, éticos e legais, e declarou que a assistência materno-infantil prestada na unidade segue diretrizes de segurança, critérios clínicos e normas voltadas ao atendimento humanizado.
O grupo também informou que está à disposição do Ministério Público e de outros órgãos competentes para prestar esclarecimentos. Na manifestação, a instituição reforçou o compromisso com um atendimento seguro e humanizado, além de afirmar que as denúncias serão analisadas internamente para que as providências cabíveis sejam adotadas conforme o resultado da apuração.
O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Promotoria de Justiça de Taubaté, informou que há um procedimento administrativo de acompanhamento sobre o caso. Segundo o MPSP, foram expedidos ofícios e as diligências de acompanhamento estão em andamento. O órgão também destacou que as diligências são recentes e ainda estão dentro do prazo de resposta.
Enquanto as apurações seguem, mães e familiares cobram respostas sobre o que teria ocorrido no atendimento prestado pelo hospital. O caso levanta um debate importante sobre a necessidade de transparência, escuta, respeito e segurança no atendimento obstétrico, especialmente em uma unidade pública que recebe mulheres em um momento de grande fragilidade física e emocional. As denúncias agora dependem da análise dos órgãos competentes, que deverão verificar documentos, ouvir envolvidos e apurar se houve falhas, abusos ou descumprimento de protocolos no atendimento às pacientes.


