CRIANÇA SOFRE FORTE REAÇÃO ALÉRGICA APÓS USAR ROUPAS LAVADAS COM PRODUTOS DA YPÊ EM SÃO JOSÉ
Uma menina de apenas 6 anos, moradora de São José dos Campos, desenvolveu uma grave reação alérgica após vestir roupas lavadas com produtos da marca Ypê que fazem parte do lote vetado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O caso gerou preocupação na família e aumentou ainda mais a repercussão envolvendo os produtos recolhidos pela agência reguladora.
Segundo a mãe da criança, a administradora Ingrid Gabriele Rodrigues Alves de Oliveira, de 34 anos, os sintomas começaram poucas horas depois de a filha utilizar roupas lavadas com os produtos da marca.
De acordo com a Anvisa, foi determinada a suspensão da fabricação, comercialização e recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.
A mãe informou que utilizou um Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Xmax de 5 litros e um Amaciante Ypê Tradicional Aconchego Ultra de 2 litros para lavar as roupas da filha.
Segundo Ingrid, a família utiliza produtos da marca há bastante tempo e nunca havia enfrentado qualquer problema semelhante. Desta vez, porém, a situação assustou.
A menina vestiu as roupas ainda durante a manhã da última sexta-feira. Poucas horas depois, começou a apresentar sintomas incomuns.
“Não é o padrão dela. Ela deitou e acordou no fim da tarde já se coçando”, relatou a mãe.
Com o passar das horas, a reação se agravou rapidamente. Segundo Ingrid, começaram a surgir lesões e feridas pelo corpo da criança.
“Aí nós vimos várias úlceras na pele dela, úlceras grandes, começando a inchar, principalmente na virilha, e depois foram se espalhando”, contou.
As imagens registradas pela família mostram marcas avermelhadas, feridas e regiões inchadas principalmente nas pernas da menina.
Assustada com o quadro, Ingrid procurou atendimento médico imediatamente. Inicialmente, os profissionais suspeitaram que os sintomas pudessem estar relacionados a uma doença viral ou respiratória.
“Ela disse que não dava para saber o que era e suspeitou de um vírus respiratório. Então deu um antialérgico”, explicou a mãe.
Mesmo após o primeiro atendimento, o quadro da criança continuou evoluindo. Segundo a família, ela passou a apresentar sintomas semelhantes aos de uma alergia respiratória, além de inchaço nas mãos e nos pés.
“Fiquei preocupada com essa reação e já corri para a médica dela para fazer exames”, afirmou Ingrid.
Os exames realizados descartaram Covid-19 e outras doenças respiratórias. Aos poucos, a menina apresentou melhora e conseguiu retornar à escola após permanecer dois dias afastada.
Foi somente depois que Ingrid viu as notícias sobre o recolhimento dos produtos da Ypê que ela começou a suspeitar da possível relação entre a reação da filha e os produtos utilizados na lavagem das roupas.
“Fui ver os produtos e eram justamente os produtos que eu comprei, o lote específico que estava sendo recolhido”, relatou.
Segundo a administradora, ela tentou entrar em contato com a fabricante responsável pelos produtos, mas afirma que não conseguiu atendimento.
Ela também informou que tentou procurar a Anvisa para relatar o caso e reclamar da dificuldade de comunicação com a empresa, mas também não obteve retorno.
“A minha filha está fora de risco, mas ela foi vítima de um produto. Ela passou por todos os transtornos. Não ofereceu risco de vida, mas também não foi leve. Não foi aquela coisinha, não. Não foi leve”, desabafou.
Em nota divulgada anteriormente, a Química Amparo, fabricante da marca Ypê, informou que identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes específicos de lava-roupas líquidos, motivo que levou ao recolhimento cautelar voluntário de parte dos produtos.
Sobre a decisão recente da Anvisa, a empresa afirmou que recebeu a medida com “indignação” e classificou a determinação como “arbitrária e desproporcional”.
A fabricante informou ainda que pretende recorrer da decisão e alegou possuir laudos independentes que apontariam que os produtos são seguros para consumo.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e gerando preocupação entre consumidores de várias regiões do país.


