INVESTIGAÇÃO NA UNESP: RELATO DE “MÃO DENTRO DA CALÇA” EM SALA DE AULA AMPLIA CRISE E PRESSÃO POR RESPOSTAS
A crise envolvendo denúncias dentro da Unesp em São José dos Campos ganhou um novo e alarmante capítulo. Uma segunda denúncia de abuso veio à tona, trazendo um relato impactante, aumentando a pressão sobre a instituição e ampliando um cenário de preocupação que já vinha sendo exposto nos últimos dias.
O caso mais recente envolve a cirurgiã-dentista e perita judicial Bárbara Hatje, ex-estudante da universidade, que decidiu tornar público um episódio que afirma ter vivido durante sua trajetória acadêmica. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela relatou que levou anos para compreender a gravidade do que aconteceu e reunir coragem para falar.
Segundo seu depoimento, o episódio ocorreu dentro de um laboratório, durante uma aula, com outros alunos presentes. O relato é direto e chocante. “Em resumo, esse professor colocou a mão dele dentro da minha calça.” A denúncia, pela forma como é descrita, evidencia uma situação de abuso dentro de um ambiente que deveria ser de formação, segurança e respeito.
Bárbara afirma que, no momento, ficou completamente sem reação e que apenas com o passar do tempo conseguiu entender a dimensão da violência sofrida. Ela descreve o ambiente universitário como um espaço marcado pelo medo e pelo silêncio, fatores que, segundo ela, dificultaram qualquer tentativa de denúncia na época.
Além do episódio dentro da sala, a ex-aluna relata que passou a sofrer perseguição acadêmica por parte do professor. Segundo ela, havia ameaças de reprovação e pressão para frequentar atividades sob a supervisão do docente, o que configuraria abuso de poder. A situação, conforme seu relato, se estendeu ao longo da graduação e também durante a pós-graduação, resultando em impactos profundos em sua saúde emocional.
Ela afirma ter desenvolvido crises psicológicas e, diante do cenário, decidiu abandonar o curso de mestrado. “O que mais dói não é só o que aconteceu, mas o fato de ninguém fazer nada. O silêncio também machuca”, declarou, em um desabafo que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
A nova denúncia surge poucos dias após outro caso envolvendo a mesma instituição, que já havia causado forte repercussão. O caso de uma aluna que denunciou ter sido estuprada por um professor foi levantado pelo OVale, trazendo à tona um episódio ainda mais grave.
Segundo esse primeiro relato, a estudante Carolina Ferreira, de 21 anos, afirmou ter sido vítima de estupro em 2023, quando tinha 18 anos. De acordo com sua versão, o crime teria ocorrido após ela aceitar uma carona oferecida pelo professor. O caso, divulgado inicialmente pelo OVale, expôs detalhes que ampliaram o debate sobre segurança dentro do ambiente universitário.
A estudante também relatou que passou a sofrer ameaças após o ocorrido. Segundo ela, o professor teria mostrado fotos de sua família em um celular, insinuando que sabia quem eram e que haveria consequências caso ela denunciasse o crime. O impacto emocional foi profundo. Carolina afirma que não conseguiu mais frequentar a universidade sem entrar em crise, o que a levou a abandonar o curso.
Com a repercussão dos dois casos, cresce a sensação de que as denúncias podem não ser isoladas. Relatos como o de Bárbara passam a encorajar outras possíveis vítimas a se manifestarem, revelando um cenário que exige atenção urgente e respostas concretas.
Em nota oficial, a Unesp informou que repudia qualquer forma de assédio ou violência dentro do ambiente acadêmico. A instituição destacou ainda que dispõe de canais institucionais para acolhimento e formalização de denúncias, garantindo sigilo e a devida apuração dos fatos.
Especialistas apontam que casos como esses exigem investigação rigorosa, transparência e suporte adequado às vítimas, além de medidas efetivas para garantir ambientes acadêmicos seguros. A ausência de respostas rápidas e eficazes pode contribuir para a perpetuação do silêncio e do medo.
O cenário agora é de pressão. Comunidade acadêmica, sociedade e órgãos competentes aguardam respostas, enquanto as investigações avançam. O que já veio à tona é suficiente para provocar indignação e reflexão. O que ainda pode surgir pode ser ainda mais impactante.
Os casos seguem sob investigação e novos desdobramentos não estão descartados.


