Corretores articulam redução de aluguéis no Centro de Cruzeiro para fortalecer comércio local
Corretores de imóveis de Cruzeiro estariam articulando tratativas com proprietários de pontos comerciais no Centro da cidade para buscar uma redução nos valores dos aluguéis cobrados aos lojistas. O tema vem ganhando força entre comerciantes locais, que há anos apontam o alto custo das locações como um dos principais entraves para a manutenção e expansão do comércio central.
Uma das comparações mais recorrentes feitas por empresários é em relação ao Shopping Shibata, onde os valores de locação seriam consideravelmente mais acessíveis do que muitos imóveis tradicionais da região central, mesmo oferecendo estrutura moderna, estacionamento facilitado e fluxo constante de consumidores. A diferença nos custos tem levado parte dos comerciantes a questionar o atual modelo praticado no Centro da cidade.
Em conversa com o Jornal A Notícia, comerciantes relataram que o alto custo dos aluguéis tem impactado diretamente na operação de lojas tradicionais. Em um dos casos apurados pela reportagem, a redução do espaço de uma loja bastante conhecida em Cruzeiro teria ocorrido justamente por conta do valor cobrado. Segundo a informação repassada ao jornal, apenas a parte da loja que acabou sendo fechada tinha aluguel que beirava os R$ 30 mil por mês, número que hoje é visto como extremamente pesado para a realidade do comércio local.
Segundo empresários ouvidos pela reportagem, esse patamar era viável nos anos de ouro do comércio cruzeirense, especialmente nos anos 2000, quando o Centro de Cruzeiro registrava intenso fluxo de consumidores, grande circulação regional e forte movimentação econômica. Naquele período, o comércio físico vivia outra realidade e conseguia absorver custos mais elevados com maior facilidade.
Atualmente, porém, o cenário mudou de forma significativa. Além da retração econômica dos últimos anos, comerciantes apontam o crescimento acelerado do comércio online como um dos principais fatores para a queda no movimento presencial, alterando os hábitos de consumo da população e reduzindo drasticamente o fluxo que antes sustentava valores elevados de locação.
Outro ponto destacado por empresários é que a manutenção de aluguéis em patamares antigos acaba dificultando a entrada de novos empreendedores no mercado central, aumentando o número de imóveis vazios e contribuindo para a perda gradual de força comercial do Centro.
Em contrapartida, a Prefeitura de Cruzeiro vem adotando medidas para impulsionar o comércio central, como a revitalização de praças, implantação de transporte público gratuito nos finais de semana e realização de eventos na região central, ações que têm sido bem recebidas pelos lojistas e vistas como tentativas concretas de fomentar o consumo e aumentar a circulação de pessoas.
Nos bastidores, comerciantes avaliam que, embora as ações públicas estejam ajudando a criar um ambiente mais favorável para retomada do comércio, a revisão dos valores de aluguel é considerada fundamental para uma recuperação mais robusta do setor.
A expectativa agora é que as tratativas avancem e que proprietários compreendam a nova realidade econômica do comércio local, ajustando valores para patamares mais compatíveis com o mercado atual. Para muitos empresários, somente com custos mais equilibrados será possível restabelecer a competitividade do comércio de rua frente ao avanço do varejo digital e de outros polos comerciais da região.

