HOMEM É BALEADO APÓS SUPOSTO TRIBUNAL DO CRIME EM CARAGUATATUBA
Um homem de 27 anos escapou por pouco de uma execução brutal na noite de terça-feira, dia 14, após ser alvo de diversos disparos de arma de fogo em uma área afastada da Estrada do Rio Claro, conhecida como Estrada da Petrobras, em Caraguatatuba. O caso foi registrado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio e é investigado sob a suspeita de ter sido motivado por um chamado “tribunal do crime”, prática em que criminosos julgam e punem pessoas à margem da lei. A vítima foi identificada apenas pelo primeiro nome, Claudinê.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados via COPOM após informações de que um homem havia sido encontrado baleado na região. Ao chegarem ao local indicado, os agentes encontraram Claudinê gravemente ferido por múltiplos disparos de arma de fogo, ainda consciente, porém bastante debilitado. O resgate foi imediatamente acionado para atendimento emergencial.
Em depoimento prestado à polícia ainda no local, Claudinê relatou que foi abordado por três homens que estavam em um veículo Volkswagen Fox de cor preta. Conforme sua versão, ele foi rendido pelo trio, colocado à força dentro do automóvel e mantido sob ameaça enquanto os suspeitos conduziam o carro por uma estrada da região. Durante o trajeto, segundo o relato da vítima, os criminosos afirmaram que estavam ali para “cobrar” um fato ocorrido no final de semana anterior.
Ainda conforme o depoimento, os autores disseram que Claudinê estaria envolvido em uma suposta tentativa de furto de um jet ski. A vítima, entretanto, negou participação e afirmou que sequer aceitou se envolver na ação criminosa. Mesmo assim, os suspeitos teriam decidido puni-lo em um ato que, segundo o próprio relato, foi tratado por eles como um “tribunal do crime”, expressão usada por facções e grupos criminosos para designar julgamentos e execuções clandestinas contra pessoas acusadas de descumprir regras impostas pelo crime organizado.
O boletim aponta que os três homens estavam armados, aparentemente com armas de calibre 22, e levaram Claudinê até as proximidades do conhecido Bar do Poção. No local, sem chance de defesa, a vítima foi alvejada diversas vezes. Os disparos atingiram regiões vitais e estratégicas do corpo, incluindo pernas, coxas, panturrilha, costas na altura da lombar, próximo ao ombro, mão e também a região próxima à orelha, o que demonstra, segundo a própria dinâmica narrada, uma clara intenção de execução.
Mesmo severamente ferido, Claudinê conseguiu sobreviver graças à frieza com que reagiu durante o atentado. Segundo ele contou aos policiais, após cair no chão atingido pelos disparos, permaneceu imóvel e fingiu estar morto para convencer os criminosos de que o assassinato havia sido consumado. Apenas depois que o trio deixou o local ele conseguiu se levantar, mesmo sangrando intensamente, e correu até uma área habitada para pedir socorro a moradores próximos.
Equipes de resgate encaminharam a vítima ao pronto-socorro da cidade, onde ela permaneceu internada sob observação no centro cirúrgico devido à gravidade dos ferimentos. Até a formalização do boletim, Claudinê seguia sob cuidados médicos.
O boletim de ocorrência também registra que o local onde o crime ocorreu não foi preservado, e não havia informações imediatas sobre vestígios periciais quando da chegada da polícia, fator que pode dificultar a coleta de provas técnicas na investigação. Ainda assim, a Polícia Civil instaurou procedimento investigativo para apurar a autoria, identificar o veículo utilizado no crime e confirmar a veracidade da motivação relatada pela vítima.
Até o momento, nenhum suspeito havia sido identificado ou preso. A polícia trabalha para esclarecer se o ataque possui ligação direta com organizações criminosas atuantes na região e se a narrativa apresentada pela vítima encontra respaldo nas demais diligências investigativas.


