Quarta-feira, Março 18, 2026
Capa

Filha e genro são condenados a mais de 47 anos de prisão por morte cruel de idoso em Poços de Caldas

Um crime que provocou indignação e revolta em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, teve seu desfecho na Justiça com a condenação de um casal acusado pela morte do idoso João Batista Domingues, de 69 anos. A própria filha da vítima, Ianaely Pereira Domingues, e o marido dela, Evandro Goveia Santos, receberam penas que, somadas, ultrapassam 47 anos de prisão pelo homicídio ocorrido em março de 2023.

Ianaely foi condenada a 25 anos de reclusão por homicídio qualificado, enquanto Evandro recebeu pena de 22 anos e 6 meses de prisão. De acordo com o Ministério Público, o crime foi cometido por motivo considerado fútil, com emprego de meio cruel e utilizando recursos que dificultaram qualquer possibilidade de defesa da vítima, circunstâncias que agravaram a pena dos acusados.

A Justiça destacou ainda que a punição aplicada à filha foi maior pelo fato de o crime ter sido praticado contra o próprio pai, circunstância que reforça a gravidade do caso. Para o Judiciário, além da violência empregada, houve quebra extrema do vínculo familiar e de confiança que deveria existir na relação entre pai e filha.

Atualmente, Evandro Goveia Santos está preso no presídio de Alfenas, em Minas Gerais. Já Ianaely cumpre prisão domiciliar em razão de estar grávida, com previsão de dar à luz nos próximos dias.

Segundo consta no processo, a motivação do crime teria sido a condição de saúde do idoso, que sofria com incontinência urinária. De acordo com as investigações, a situação gerava constantes conflitos dentro da residência, o que teria desencadeado as agressões que levaram à morte de João Batista Domingues.

Laudos periciais apontaram que a causa da morte foi choque séptico decorrente de isquemia no intestino delgado, provocada por instrumento contundente. Os exames indicaram que as lesões internas eram compatíveis com agressões físicas, afastando a hipótese inicial de morte natural ou decorrente apenas de negligência.

O corpo do idoso foi encontrado dentro da própria casa, no bairro Estância São José, no dia 6 de março de 2023. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram a vítima no sofá da sala, sem roupas e com diversos hematomas pelo corpo, sinais claros de violência.

Inicialmente, o casal chegou a ser indiciado por maus-tratos com resultado morte. No entanto, com o avanço das investigações e após a análise detalhada dos laudos periciais, a polícia concluiu que as lesões internas e externas eram compatíveis com agressões deliberadas, o que levou à denúncia por homicídio qualificado.

João Batista Domingues era deficiente visual e, segundo testemunhas, estava em situação de extrema vulnerabilidade dentro da própria casa. Relatos apontam que ele teria sido agredido ainda nas primeiras horas daquele dia.

Uma pessoa que estava nas proximidades da residência relatou à polícia que tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao perceber que algo grave havia acontecido, mas teria sido impedida pelo casal, que não permitiu que o socorro fosse chamado naquele momento.

Outro filho da vítima contou às autoridades que, após a morte do pai, percebeu o desaparecimento de objetos pessoais e cartões bancários do idoso, o que também levantou suspeitas durante a investigação.

Depois da morte de João Batista Domingues, Ianaely e Evandro teriam deixado a cidade na tentativa de evitar a prisão. Conforme informações da Polícia Militar, os dois planejavam embarcar em um ônibus clandestino com destino ao Maranhão.

A fuga, no entanto, durou pouco. O casal foi localizado e preso pela Polícia Civil na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, no dia 7 de março de 2023, apenas um dia após a descoberta do crime. Desde então, o caso seguiu tramitando na Justiça até a condenação dos dois acusados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!