TRAGÉDIA NO VALE: Justiça solta dona de buffet após morte de Bentinho e polícia investiga alteração da cena do atropelamento
A Justiça determinou a libertação da empresária Luana de Castro Louzada Costa, de 34 anos, proprietária do buffet onde ocorreu o atropelamento que resultou na morte do menino Bento Raviv Elias Pinto, de apenas 5 anos, conhecido como Bentinho. A tragédia aconteceu durante uma festa de casamento em Tremembé, no Vale do Paraíba, e provocou grande comoção na região.
Bentinho foi atingido por uma caminhonete Chevrolet Montana conduzida pela empresária dentro do espaço onde ocorria a celebração. O acidente aconteceu na madrugada de domingo (8), por volta das 2h09, em um buffet localizado na Rodovia Álvaro Barbosa Lima, no bairro Parque Vera Cruz.
A empresária havia sido presa em flagrante pela Polícia Civil sob suspeita de homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravante de omissão de socorro. Após audiência de custódia, porém, a Justiça decidiu conceder liberdade à investigada, que deverá responder ao processo em liberdade enquanto o caso continua sendo apurado.
De acordo com o entendimento judicial, por se tratar inicialmente de crime culposo, quando não há intenção de matar, não havia elementos suficientes para justificar a manutenção da prisão preventiva.
Segundo o boletim de ocorrência, o menino participava da festa de casamento quando foi atropelado. Uma testemunha relatou à polícia que viu a criança abaixada no chão, como se estivesse procurando algum objeto, no momento em que o veículo começou a se movimentar. A caminhonete acabou passando por cima do menino.
Logo após o acidente, familiares e funcionários do evento correram para socorrer a criança. Um garçom que trabalhava na festa assumiu a direção da própria caminhonete envolvida no atropelamento e levou Bentinho, junto com os pais, até o Pronto-Socorro Municipal de Tremembé.
Apesar do socorro rápido, a criança não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.
Testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram que, após o atropelamento, a empresária teria parado o veículo, descido e retornado para dentro do salão onde acontecia o casamento. De acordo com os relatos, ela não acompanhou o socorro da criança naquele momento. Ainda segundo depoimentos, a mulher teria procurado o marido no local e, posteriormente, foi levada para casa por ele.
Em depoimento à polícia, a empresária afirmou que manobrava o veículo quando sentiu que havia passado por cima de algo. Ao perceber que havia atingido a criança, disse ter ficado muito nervosa.
Outro ponto que passou a ser investigado pela Polícia Civil envolve a possível alteração da cena do acidente. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o chão do local onde ocorreu o atropelamento teria sido lavado antes da chegada da perícia técnica, o que pode ter comprometido a preservação de provas importantes.
Os investigadores apuram se houve fraude processual por parte de pessoas que ainda não foram identificadas.
A morte do pequeno Bentinho provocou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou manifestações de solidariedade à família. Em uma despedida emocionada, o pai da criança publicou uma mensagem que comoveu amigos e moradores da região.
“Meu querido Bentinho está com Deus agora”, escreveu.
O menino foi sepultado na manhã desta segunda-feira (9) no Cemitério Municipal de Tremembé, sob forte comoção de familiares e amigos.
A investigação segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da tragédia.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

