De bailarina a soldado: jovem de 17 anos celebra o Dia da Mulher realizando sonho dentro da AMAN
“Só de estar fardada e fazendo parte dessa história já é algo enorme”. A frase resume o sentimento da jovem soldado Valentina Ferreira, de 17 anos, integrante da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ). Neste domingo, 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a trajetória da jovem simboliza o avanço feminino dentro das Forças Armadas e o surgimento de uma nova geração de mulheres determinadas a conquistar espaço no Exército Brasileiro.
O sonho militar de Valentina nasceu ainda na infância, em um lugar que hoje faz parte da sua rotina. Quando pequena, ela praticava balé e realizava apresentações justamente dentro da AMAN. Coincidentemente, muitos desses espetáculos aconteciam no mesmo dia de seu aniversário. Foi nesse ambiente que a jovem começou a desenvolver admiração pela carreira militar e a imaginar que, um dia, também poderia vestir a farda.
Hoje, já integrada à instituição, Valentina fala com orgulho sobre a experiência de fazer parte do Exército. Para ela, estar ali representa mais do que a realização de um sonho pessoal: é também um símbolo de mudança dentro de um espaço historicamente ocupado por homens. A jovem afirma que considera maravilhoso poder servir ao país e acredita que as mulheres devem ter as mesmas oportunidades de treinamento e desenvolvimento dentro da carreira militar.
A soldado também destaca a importância da representatividade feminina nas Forças Armadas. Segundo ela, ver mulheres uniformizadas e ocupando posições de destaque inspira novas gerações a acreditarem que esse caminho também é possível. Valentina afirma que sente orgulho ao ver outras mulheres fardadas e empoderadas, reforçando o desejo de que, no futuro, cada vez mais militares mulheres ocupem posições que antes eram exclusivas dos homens.
A caminhada de Valentina conta com o apoio da família, que acompanha de perto sua trajetória e incentiva a jovem a seguir firme na carreira que escolheu.
A presença feminina nas fileiras do Exército tem avançado gradualmente e exemplos recentes reforçam essa transformação. Pela primeira vez na história da Academia Militar das Agulhas Negras, cadetes mulheres do segundo ano de formação puderam optar pela Arma de Comunicações. Das 29 vagas disponíveis, 10 foram ocupadas por mulheres, que deverão concluir sua formação em 2028.
Dentro da estrutura do Exército, a área de Comunicações é estratégica, responsável por garantir as ligações entre os diferentes níveis de comando antes, durante e após operações militares. Os profissionais também atuam no controle do espectro eletromagnético por meio da Guerra Eletrônica, interferindo nas comunicações inimigas e protegendo as próprias transmissões, além de obter informações importantes em cenários operacionais.
Outro marco histórico também foi anunciado recentemente pelo Exército Brasileiro: a indicação da Coronel Médica Claudia Lima Gusmão Cacho para o posto de General de Brigada. Pela primeira vez uma mulher é escolhida para integrar o generalato da instituição, em uma promoção prevista para entrar em vigor no dia 31 de março.
Natural de Recife, a coronel construiu uma carreira de quase três décadas dedicadas à área de Saúde Operacional e Hospitalar do Exército. Ao longo de sua trajetória, ocupou cargos importantes como chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro, além de dirigir o Hospital de Guarnição de Natal (RN) e o Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS).
Histórias como a da jovem soldado Valentina e da coronel Claudia mostram que o cenário militar brasileiro está em transformação. Cada nova conquista representa não apenas uma vitória individual, mas também um avanço coletivo para as mulheres que sonham em servir ao país vestindo a farda do Exército Brasileiro.


