Um ano de dor e espera por Justiça: família de jovem morto em acidente com caminhão da Semob cobra respostas em Taubaté
A morte de João Gustavo Antunes Simões, aos 19 anos, completou um ano cercada por um sentimento que a família define em uma única palavra: impunidade. Entre lembranças, saudade e uma dor que não diminui com o tempo, parentes e amigos do jovem continuam aguardando uma resposta da Justiça sobre o acidente que tirou sua vida após a colisão da motocicleta que conduzia com um caminhão da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) de Taubaté.
O acidente ocorreu por volta das 13h, no cruzamento das ruas Umberto Passarelli e José Franklin de Moura, no bairro Vila Jaboticabeira. João Gustavo seguia de moto pela via quando o caminhão de manutenção semafórica realizou uma conversão e acabou atingindo o motociclista na pista contrária. Moradores relataram que o local já registrava acidentes com frequência.
Após a colisão, o jovem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe médica constatou que a morte ocorreu em decorrência de trauma raquimedular, uma grave lesão na medula espinhal.
Um ano depois da tragédia, a família afirma viver um período marcado por tristeza e angústia, enquanto aguarda o desfecho do processo. Para o pai do jovem, Marco Simões Filho, a falta de respostas aumenta ainda mais o sofrimento.
“É uma angústia para a família. Esse é o sentimento nosso, de impunidade e de nada ter sido resolvido nesse caso. Tudo muito vago e ninguém se posiciona ou fala alguma coisa. Estamos aguardando o posicionamento da Justiça”, declarou.
Ele reforça que o desejo da família não é compensação material, mas sim responsabilização. “Esperamos que o responsável seja de fato punido. É o único sentimento que restou. Não esperamos nada de material, mas a Justiça é o que importa.”
Em memória de João Gustavo, familiares e amigos participam de uma missa celebrada na Paróquia São Sebastião, localizada no Parque Ipanema, em Taubaté, às 19h30.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor. Na ocasião, a autoridade policial solicitou perícia do Instituto Médico Legal (IML) no corpo da vítima e perícia científica no local do acidente para auxiliar nas investigações.
O motorista do caminhão envolvido no acidente, que tinha 42 anos na época, é servidor de carreira da Prefeitura de Taubaté desde 2012, tendo ingressado por concurso público como motorista. Entre 2023 e o início de 2025, ele também exerceu funções de chefia dentro da Secretaria de Mobilidade Urbana, atuando como Supervisor Técnico de Frota de Sinalização Semafórica e Supervisor de Divisão de Frota.
Segundo a família, o processo criminal segue em andamento sem conclusão. “Contratamos advogado e está rolando o processo. Na parte criminal não há uma conclusão. A Prefeitura também não procurou a família”, afirmou o pai do jovem.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que o inquérito policial permanece em andamento e que, até o momento, não há decretação de prisão contra o motorista envolvido.
Paralelamente à investigação criminal, a Secretaria de Mobilidade Urbana instaurou uma sindicância administrativa para apurar as circunstâncias do acidente. De acordo com a pasta, o procedimento ainda está em andamento e atualmente se encontra na fase de considerações finais, sob responsabilidade da Corregedoria do Município. Até o momento, nenhuma penalidade foi aplicada ao servidor.
Após a tragédia, a Prefeitura realizou intervenções no local do acidente, incluindo reforço na sinalização e adequações viárias. Entre as mudanças implantadas está a instalação de uma minirrotatória no cruzamento, com o objetivo de disciplinar as conversões e melhorar a segurança de motoristas e motociclistas que trafegam pela região.
Enquanto o processo segue sem desfecho, a família de João Gustavo convive com a dor da perda e mantém viva a esperança de que a morte do jovem não fique sem responsabilização. Para os parentes, a Justiça é o único caminho para que a memória do rapaz de apenas 19 anos não seja esquecida e para que a tragédia não se repita com outras famílias.


