Sexta-feira, Março 6, 2026
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TRAGÉDIA E MISTÉRIO: Brasileira com mestrado no ITA é encontrada morta em floresta no Canadá após meses desaparecida

O desaparecimento de uma brasileira que mobilizou autoridades de diferentes países terminou de forma trágica em uma área de floresta na província de Quebec, no Canadá. Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, que possuía mestrado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, foi encontrada morta em uma região de mata próxima à cidade de Coaticook, nas proximidades da fronteira com os estados americanos de Vermont e New Hampshire. A confirmação oficial de sua identidade foi divulgada apenas no fim de fevereiro, após meses de investigações e cooperação internacional.

Natural de Goiânia, em Goiás, Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e construiu uma trajetória acadêmica sólida antes de iniciar uma série de viagens pelo exterior. Ela deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu em Goiânia sob os cuidados da avó e não participou das viagens realizadas pela mãe.

O caso passou a ser tratado como desaparecimento internacional quando Letícia deixou de manter contato com a família em dezembro de 2023, período em que estava nos Estados Unidos. Diante da falta de notícias, seu nome foi incluído na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas desaparecidas em diferentes países.

De acordo com informações divulgadas pela polícia provincial de Quebec, a Sûreté du Québec, o corpo foi localizado por caçadores em uma área de mata. Segundo o porta-voz da corporação, Louis-Philippe Ruel, não havia sinais aparentes de violência no local. A principal hipótese considerada pelos investigadores é de que a morte tenha ocorrido por hipotermia, resultado da exposição prolongada ao frio intenso da região.

Familiares relataram que o corpo havia sido encontrado ainda em abril de 2024, mas a confirmação oficial da identidade da brasileira só foi comunicada recentemente pelas autoridades canadenses. Enquanto aguardam a conclusão das investigações e os procedimentos diplomáticos, parentes iniciaram uma campanha para arrecadar recursos destinados ao traslado do corpo para o Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral do Brasil em Montreal, prestando a assistência consular necessária aos familiares durante todo o processo.

As buscas começaram após a mãe de Letícia registrar o desaparecimento junto ao Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) de Goiânia, relatando que havia perdido contato com a filha desde dezembro de 2023. A partir daí, as investigações passaram a reunir informações sobre os últimos deslocamentos da brasileira.

Segundo relatos da família, Letícia atuava como missionária da Igreja Adventista e teria iniciado uma jornada pela América do Sul. O primeiro destino mencionado foi a Argentina, seguida pela Bolívia. Posteriormente, ela teria viajado para os Estados Unidos, chegando inicialmente ao estado do Mississippi em junho de 2023.

Durante as buscas surgiram indícios de que a brasileira poderia estar em Boston, no estado de Massachusetts, possivelmente em um abrigo localizado na Harrison Avenue. O Consulado-Geral do Brasil na cidade chegou a ser acionado pela família, mas não conseguiu confirmar se Letícia estava no local.

As investigações enfrentaram dificuldades desde o início. Consultas iniciais a bancos de dados não localizaram registros de voos ou histórico migratório em nome de Letícia. Posteriormente, investigadores identificaram um registro de detenção nos Estados Unidos vinculado ao nome “Leticia Alpes Oliveira”, com a mesma data de nascimento da brasileira, levantando a hipótese de erro de grafia nos registros.

O histórico policial também indicou que Letícia teria sido impedida de entrar no Canadá em janeiro de 2024 na região de Buffalo, no estado de Nova York. Após a abordagem na fronteira, ela permaneceu cerca de três meses sob custódia de autoridades migratórias dos Estados Unidos e acabou liberada em abril daquele ano, mediante o compromisso de comparecer a uma audiência de imigração marcada para 2026 em Boston.

Outra linha de investigação apontou que a brasileira poderia ter sido acolhida em um abrigo feminino voltado a mulheres em situação de vulnerabilidade na cidade. No entanto, as regras de confidencialidade da instituição impediram que as autoridades confirmassem oficialmente sua presença no local.

Em consultas posteriores realizadas junto às autoridades americanas, foi identificado que Letícia teria entrado no território dos Estados Unidos em janeiro de 2024 utilizando uma grafia alternativa de seu nome e que não havia registros de saída do país. Em outro momento, segundo registros, ela chegou a se identificar como “Sara Mars”, fato que também passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

Sem novos contatos com a família, as buscas seguiram por meses em cooperação internacional até a confirmação de que o corpo localizado em território canadense pertencia à brasileira. Enquanto a investigação segue para esclarecer os últimos passos de Letícia Oliveira Alves, familiares aguardam respostas definitivas sobre as circunstâncias que levaram à morte da cientista brasileira em uma remota região de floresta no Canadá.

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