Sexta-feira, Março 6, 2026
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Vale do Paraíba dispara na violência e registra taxa de homicídios duas vezes maior que a média paulista

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba começou 2026 sob um alerta vermelho na segurança pública. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública apontam que a região mantém a liderança no ranking de homicídios do Estado de São Paulo e apresenta uma taxa que é o dobro da média estadual — além de superar com folga os índices da capital e da Grande São Paulo.

No acumulado dos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, a RMVale registrou 11,26 homicídios por 100 mil habitantes. No mesmo período, o Estado de São Paulo teve média de 5,62. A capital marcou 4,54 e a Grande São Paulo, 5,20. No interior paulista, a média ficou em 6,30.

O cenário reforça uma tendência preocupante: desde 2010, o Vale do Paraíba ocupa o topo do ranking estadual, consolidando-se como a única área considerada endêmica em homicídios dentro do território paulista.

Na comparação com outras regiões do interior, o Vale também aparece à frente. Campinas registrou 4,89 homicídios por 100 mil habitantes; Ribeirão Preto, 5,42; Bauru, 6,19; São José do Rio Preto, 6,09; Baixada Santista, 5,30; Sorocaba, 6,51; Presidente Prudente, 4,69; Piracicaba, 5,32; e Araçatuba, 8,50 — esta última sendo a que mais se aproxima dos números da RMVale, ainda assim distante.

O mês de janeiro escancarou ainda mais o agravamento da situação. Foram 25 homicídios registrados na região, um aumento de 38,8% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando houve 18 ocorrências. É o maior número entre as dez regiões administrativas do interior paulista. No mesmo período, Campinas teve 17 casos; Ribeirão Preto, 20; Bauru e São José do Rio Preto, 7 cada; Baixada Santista e Sorocaba, 15; Presidente Prudente, 5; Piracicaba, 11; e Araçatuba, 9.

Em números absolutos, as cidades que mais concentraram homicídios em janeiro foram São José dos Campos e Taubaté, com quatro casos cada. Aparecida e Lorena registraram três ocorrências cada. Caraguatatuba, Guaratinguetá, Jacareí e Ubatuba tiveram dois casos cada. Já Canas, Cachoeira Paulista e Pindamonhangaba contabilizaram um homicídio cada.

Os números reforçam a necessidade de políticas públicas mais incisivas, integração entre forças de segurança e ações preventivas voltadas especialmente às áreas mais vulneráveis. Enquanto outras regiões conseguem manter índices abaixo da média estadual, o Vale do Paraíba inicia o ano pressionado por estatísticas que evidenciam um desafio persistente e cada vez mais urgente.

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