Sábado, Março 7, 2026
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Caso Marlene vai virar lei: após morte brutal por ataque de cães, São José prepara regras duras e punições severas a donos

A morte da aposentada Marlene Ferreira Leite, de 69 anos, após um violento ataque de cães de grande porte em São José dos Campos, não ficará apenas na memória da cidade. A tragédia já mobiliza a Câmara Municipal e deve se transformar em lei, com um pacote de medidas rígidas que promete impor controle severo sobre tutores e penas mais duras em casos de ataques.

A comoção provocada pela morte da idosa, que chegou a ser socorrida e internada, mas não resistiu aos ferimentos, abriu um debate urgente sobre a responsabilidade de quem cria animais de grande porte. A repercussão foi imediata e pressionou vereadores a protocolarem três projetos de lei que endurecem regras, ampliam o controle e estabelecem punições mais pesadas para donos de cães considerados potencialmente perigosos.

A principal proposta institui a chamada Lei Marlene, que deve virar referência no município. O texto prevê restrições severas à criação e circulação de raças consideradas de alto risco, como pitbull, rottweiler e doberman, além da proibição de importação, comércio, reprodução e doação desses animais. A intenção é evitar que novos casos fatais ocorram e responsabilizar de forma direta os tutores.

Outro ponto central das propostas é a exigência de seguro obrigatório de responsabilidade civil. A medida visa garantir que vítimas de ataques tenham cobertura imediata para despesas médicas, cirurgias, medicamentos, tratamentos psicológicos e indenizações. A avaliação dos vereadores é de que, em muitos casos, vítimas ficam desamparadas e precisam recorrer à Justiça para tentar ressarcimento, enquanto o sofrimento físico e emocional permanece.

Também está prevista a criação de critérios rigorosos para a aquisição e manutenção de cães de grande porte. Entre as exigências, o tutor deverá comprovar residência adequada ao tamanho do animal, condições físicas para conduzi-lo com segurança e até capacidade psicológica para exercer a guarda responsável. A proposta parte do entendimento de que a criação de animais com alto potencial ofensivo exige preparo e responsabilidade real.

Outro projeto estabelece a obrigatoriedade de microchipagem e cadastro municipal de cães, especialmente da raça pitbull, permitindo identificar rapidamente os tutores e responsabilizá-los em caso de incidentes. A proposta inclui ainda curso obrigatório de guarda responsável e multas que podem ultrapassar R$ 4,4 mil em casos de ataques graves.

A Câmara também discute o endurecimento das penas para tutores em situações de negligência, imprudência ou omissão. Em casos de morte ou ferimentos graves, a tendência é que a responsabilização seja exemplar, com sanções administrativas e encaminhamento para responsabilização judicial. A avaliação é de que ataques fatais não podem mais ser tratados como fatalidades isoladas, mas como consequência de falhas na guarda e controle dos animais.

Enquanto os projetos seguem tramitação nas comissões internas, a expectativa é de aprovação e transformação das propostas em lei municipal. O objetivo é claro: fazer do caso Marlene um marco legal na cidade, garantindo mais segurança à população e impondo responsabilidade firme a quem decide criar animais de grande porte sem os devidos cuidados.

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