Sábado, Março 7, 2026
Cidades

Nova cratera se abre, carro despenca no escuro e Jardim Imperial revive pesadelo em São José

A cena voltou a se repetir e, para muitos moradores do Jardim Imperial, a sensação foi de déjà-vu misturado com revolta e medo. Na noite de quarta-feira, dia 25, um carro caiu em uma erosão que se reabriu na Rua Felisbina de Souza Machado, na zona sul de São José dos Campos. O veículo ficou parcialmente dentro da cratera, em um trecho onde a iluminação pública estava apagada, ampliando o risco e a insegurança de quem passa pelo local.

Vídeos gravados por moradores mostram o automóvel inclinado dentro do buraco e a rua mergulhada na escuridão. A água acumulada sobre o asfalto, resultado da chuva persistente, teria encoberto sinais visíveis do afundamento, dificultando que o motorista percebesse o perigo a tempo. O que já era um ponto crítico voltou a se transformar em armadilha.

O endereço carrega um histórico recente de transtornos graves. Desde o fim de janeiro, o trecho vem sendo alvo de sucessivas erosões que abriram crateras no meio da via, provocaram interdições e obrigaram moradores a deixarem suas casas. A reabertura do buraco nesta quarta-feira reacende o temor de novos deslizamentos e amplia a cobrança por uma solução definitiva.

Em nota divulgada também na quarta-feira, dia 25, a Prefeitura de São José dos Campos informou que o escoamento lento da água na região é consequência de uma deficiência já identificada no sistema de drenagem da rua. Segundo o Executivo, a correção será feita por meio da construção de uma nova galeria pluvial. A administração destacou ainda que a área vinha sendo monitorada por câmeras do Centro de Segurança e Inteligência (CSI) e que, até o momento do comunicado, haviam sido registrados 76,8 milímetros de chuva, com rajadas de vento que chegaram a 40 km/h.

Horas antes do acidente, a Defesa Civil do Estado havia emitido alerta severo para o município, apontando risco de chuva forte e persistente, acompanhada de ventos e descargas elétricas. Em situações assim, o solo encharcado e a pressão da água nas galerias subterrâneas aumentam a vulnerabilidade do pavimento, especialmente em locais que já apresentam fragilidade estrutural.

O histórico recente do trecho impressiona. No dia 27 de janeiro, a primeira grande erosão se abriu e um caminhão chegou a ser “engolido” pela cratera. Em 7 de fevereiro, durante um novo período de chuvas intensas, uma segunda abertura no solo levou à interdição de um prédio com 34 apartamentos e de residências próximas. No dia 12 de fevereiro, moradores relataram sinais de mais um possível afundamento, temendo o surgimento de uma terceira cratera. Já em 15 de fevereiro, após vistorias técnicas, parte dos imóveis foi liberada para reocupação. Agora, no dia 25, o cenário voltou a se agravar com a queda de um carro no buraco reaberto.

A Prefeitura já havia anunciado que o problema estrutural seria enfrentado com obras de drenagem e estabilização do solo, consideradas essenciais para evitar que o pavimento volte a ceder. Enquanto a intervenção definitiva não sai do papel, moradores convivem com a insegurança de quem não sabe quando o chão pode voltar a abrir.

As autoridades reforçam que motoristas e pedestres devem evitar áreas isoladas e respeitar a sinalização no entorno da Rua Felisbina de Souza Machado. Em caso de sinais como novas rachaduras, estalos no solo, inclinação de postes ou indícios de afundamento, a Defesa Civil deve ser acionada pelo 199. Situações emergenciais podem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo 193 ou à Polícia Militar pelo 190. Para orientações e solicitações gerais, a população pode recorrer ao canal 156 da Prefeitura.

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