PRESSENTIMENTO DE MORTE, SILÊNCIO E DOR: “Eu acho que vou morrer cedo”, escreveu Gisele meses antes de ser encontrada morta em apartamento na capital
A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou contornos ainda mais perturbadores após a revelação de mensagens enviadas por ela a uma amiga íntima ao longo do último ano. Nos diálogos, marcados por desabafos e inseguranças, Gisele dizia ter o pressentimento de que não viveria por muito tempo. Sonhava em ver a filha, de 7 anos, formada, mas demonstrava medo de não chegar até lá. “Não sei se duro até lá. Acho que duro mais cinco anos, talvez até os 36 ou 37”, escreveu em 2025. Em outra mensagem, foi ainda mais direta: “Eu tenho o pressentimento de que vou morrer cedo”. Hoje, as palavras ecoam com um peso difícil de suportar.
Gisele foi encontrada morta com um ferimento de arma de fogo no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. O tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou tê-la encontrado já sem vida na manhã de quarta-feira (18). A arma utilizada pertence a ele, conforme informações já divulgadas.
O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita, ampliando a tensão e o clamor por esclarecimentos. Familiares e amigos, abalados, afirmam que a policial vivia um momento importante da carreira: havia sido recentemente promovida para atuar no Tribunal de Justiça Militar, conquista profissional que comemorava com orgulho.
A despedida, realizada em Suzano, na Grande São Paulo, foi marcada por forte comoção e questionamentos. Durante o velório, parentes cobraram investigação minuciosa, pedindo a análise de imagens de câmeras de segurança do quartel onde Gisele trabalhava e esclarecimentos sobre quem comunicou oficialmente a morte às autoridades. Também levantaram dúvidas sobre o desaparecimento de toalhas, roupas de cama e um tapete do apartamento após o ocorrido.
Enquanto os laudos periciais são aguardados, permanece a dor de uma filha sem a mãe, de amigos sem respostas e de uma família que insiste em compreender o que aconteceu por trás das portas de um apartamento onde, meses antes, uma jovem mulher já dizia sentir que seu tempo poderia ser curto demais.

