Entre anjo e diabo: a difícil missão de Tarcísio para escolher o vice em 2026
A corrida eleitoral de 2026 ainda parece distante, mas uma decisão já ronda o Palácio dos Bandeirantes e promete mexer com os bastidores da política paulista: a escolha do vice na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas.
Entre pressões partidárias, alianças estratégicas e a necessidade de manter a base unida, o governador terá pela frente uma escolha delicada. De um lado, a manutenção da parceria com o atual vice, Felicio Ramuth, ligado ao PSD e figura considerada leal e discreta no governo. De outro, a possibilidade de uma guinada política que pode ampliar o arco de alianças e fortalecer o projeto de reeleição.
Nos bastidores, o nome do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, surge como uma das principais apostas, especialmente diante da pressão de setores do PL e de grupos que defendem uma composição mais alinhada à base bolsonarista. A eventual indicação representaria um gesto político de peso e uma nova configuração no tabuleiro paulista.
Ao mesmo tempo, qualquer mudança passa inevitavelmente pela relação com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e aliado central na primeira gestão. Uma alteração na vice pode significar uma reacomodação dessa relação ou até a abertura de diálogo com outra potência partidária, como o MDB de Baleia Rossi, ampliando a frente política para 2026.
Em entrevista recente à Rede Sampi, o próprio governador afirmou que a disputa pela reeleição já é uma decisão consolidada e reforçou que a escolha do vice ainda está em aberto. Segundo ele, o processo será coletivo e baseado em um critério principal: lealdade.
Tarcísio destacou que há vários nomes qualificados sendo avaliados e que a definição não será individual. A intenção, segundo o governador, é montar um grupo forte e coeso para a próxima eleição, capaz de sustentar um projeto de longo prazo para o Estado.
Enquanto a decisão não chega, o cenário segue em aberto e repleto de articulações. Entre manter a parceria atual ou ceder às pressões por uma nova composição, Tarcísio terá de equilibrar interesses, alianças e estratégias. No tabuleiro político paulista, a escolha do vice pode definir muito mais do que uma simples posição na chapa: pode determinar os rumos da eleição e o desenho do poder em São Paulo nos próximos anos.

