Sábado, Março 7, 2026
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Entre a vida e a morte: jovem que teve 60% do corpo queimado em explosão durante festa recebe alta após quase dois meses de luta

Depois de quase dois meses de internação e uma batalha intensa pela sobrevivência, a estudante e enfermeira Maria Luisa Spineli Silva finalmente voltou para casa. A jovem, que teve cerca de 60% do corpo queimado após um grave acidente enquanto trabalhava em uma festa em Alfenas (MG), recebeu alta hospitalar e segue agora em recuperação domiciliar, cercada pela família e por uma rede de apoio que se mobilizou desde o primeiro momento.

Maria Luisa deixou a Santa Casa de Poços de Caldas, referência no tratamento de queimaduras no Sul de Minas, no dia 6 de fevereiro, após aproximadamente 50 dias internada. O acidente que mudou sua vida aconteceu no dia 20 de dezembro de 2025, quando ela atuava como freelancer em um evento e sofreu uma explosão ao tentar acender um rechaud.

Estar de volta em casa representa mais que o fim de uma internação: é a confirmação de que ela sobreviveu a um dos momentos mais difíceis de sua vida. Emocionada, Maria relata que a sensação de estar viva e reencontrar a família e os amigos é um verdadeiro alívio. Segundo ela, o apoio recebido de parentes, amigos e até de pessoas desconhecidas foi fundamental para que conseguisse atravessar o período mais crítico.

No dia do acidente, Maria trabalhava ao lado de outras duas jovens quando foi orientada pela responsável pelo buffet a acender um rechaud, procedimento que ela afirma não saber realizar. Ao tentar cumprir a tarefa, o álcool líquido utilizado acabou provocando uma explosão que rapidamente tomou seu corpo em chamas. Em desespero, ela correu e se lançou em uma piscina próxima, tentando conter o fogo enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) era acionado.

Mesmo com as chamas controladas, o sofrimento foi intenso. Maria lembra que, durante o atendimento, a dor era extrema e o medo de não sobreviver dominava seus pensamentos. Socorrida em estado grave, ela foi levada inicialmente para a UTI do Hospital Alzira Velano, em Alfenas, onde precisou ser entubada e passou por cirurgia. Três dias depois, foi transferida para a Santa Casa de Poços de Caldas, onde permaneceu internada por semanas sob cuidados especializados.

Agora em casa, a recuperação continua, mas ainda exige uma rotina delicada e cheia de restrições. Maria utiliza medicamentos, passa por curativos constantes e enfrenta limitações físicas significativas. Sentar ainda é doloroso por causa das queimaduras na parte posterior da coxa, o que a obriga a usar uma boia até para as refeições. Para dormir, precisa manter a perna posicionada com travesseiros e, por enquanto, não pode tomar banho de chuveiro, realizando a higiene apenas com compressas.

Durante todo o período de internação, a mãe de Maria, a professora Bernadete Ferreira Leite Silva, permaneceu ao lado da filha em Poços de Caldas. Segundo ela, a permanência só foi possível graças a uma rede de solidariedade que ajudou a custear hospedagem e outras despesas. O tratamento hospitalar foi garantido pelo SUS, mas os gastos fora da unidade médica exigiram mobilização e apoio financeiro de amigos e pessoas sensibilizadas com a história.

A família agora avalia a possibilidade de entrar com uma ação judicial. De acordo com Bernadete, caso seja considerado necessário, a intenção é buscar responsabilização judicial pelo ocorrido.

Apesar das cicatrizes e dos desafios da reabilitação, Maria Luisa afirma que a experiência redefiniu sua forma de ver a vida e fortaleceu ainda mais sua vocação profissional. Determinada a seguir na enfermagem, ela pretende retomar os estudos e se especializar no cuidado de pessoas que enfrentaram situações semelhantes à sua.

A equipe de reportagem tentou contato com o buffet onde Maria trabalhava no dia do acidente, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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