Embate no altar e nas redes: Nikolas reage a sermão em Aparecida e dispara contra padre do Vale
O deputado federal Nikolas Ferreira reagiu publicamente às críticas feitas pelo Ferdinando Mancílio, pároco do Santuário Nacional de Aparecida, após declarações feitas durante uma missa que repercutiram intensamente nas redes sociais e no meio político.
Durante a celebração, o padre, sem citar nomes, criticou a realização da caminhada até Brasília promovida por Nikolas, classificando o ato como uma manifestação sem projeto concreto em favor do povo e movida, segundo ele, apenas pela busca de poder. A fala ocorreu no mesmo dia em que a mobilização foi encerrada na capital federal, reunindo cerca de 18 mil pessoas.
Na mesma homilia, Mancílio também fez duras críticas a quem defende o porte de armas, afirmando que não haveria compatibilidade entre a fé cristã e a defesa do armamento civil. A posição foi rebatida de forma irônica por Nikolas, que publicou um vídeo nas redes sociais questionando o discurso do religioso.
“Falta intelecto ou Bíblia. A arma não é o mal, o mal é quem a utiliza. Ou você não lembra quando Caim matou Abel com uma .40? Ou quando Davi matou Golias com uma metralhadora?”, ironizou o deputado, usando exemplos bíblicos para sustentar sua argumentação.
Nikolas também afirmou que armas, assim como outros objetos, podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal e citou a segurança do Papa como exemplo. “Ou você acha que quem protege o Papa usa a Bíblia como escudo? Claro que não”, afirmou. Segundo ele, há uma seletividade no discurso de parte do clero, que se indigna com manifestações políticas, mas silencia diante da violência do crime organizado no país.
O parlamentar reforçou ainda que a caminhada teve como objetivo defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e também ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Do lado do altar, o padre manteve o tom crítico ao afirmar que não é possível defender armas e, ao mesmo tempo, dizer-se cristão. “A arma só tem uma finalidade: ferir e matar. Um machado pode matar, mas sua finalidade é outra. De que lado nós estamos?”, questionou durante a missa.
Reação política e ataques ao padre
As declarações de Mancílio provocaram reação imediata entre parlamentares da direita. O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou o pároco como “vergonha para a Igreja Católica” e o acusou de alinhamento ideológico à esquerda.
O senador Magno Malta (PL-ES), que participou da manifestação em Brasília, também atacou o padre, chamando-o de “esquerdista” e “comunista”, além de acusá-lo de covardia por não citar nominalmente Nikolas durante o sermão. “Se incomodou tanto, mas não teve coragem de dizer o nome”, afirmou em vídeo divulgado nas redes.
Já o deputado federal José Medeiros (PL-MT) declarou que o religioso “ridicularizou a marcha para Brasília e a autodefesa”, afirmando que o discurso não representa a defesa da paz, mas sim uma posição política disfarçada de pregação religiosa.
O episódio aprofundou o debate sobre os limites entre fé, política e posicionamentos ideológicos, transformando uma homilia em Aparecida em combustível para mais uma polarização nacional.


