Sábado, Março 7, 2026
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Morte que gera vida: jovem baleado por PM em São José dos Campos tem morte cerebral confirmada e família autoriza doação de órgãos

A dor de uma família se transformou em um gesto de solidariedade. Carlos Alberto Chagas Júnior, de 21 anos, teve a morte cerebral confirmada após dias internado em estado grave no Hospital Municipal da Vila Industrial, em São José dos Campos. Baleado na cabeça durante uma abordagem policial, o jovem estava em coma na UTI e não respondeu aos estímulos neurológicos, conforme informado pela equipe médica à família.

O laudo confirmando a morte cerebral foi entregue aos familiares na quarta-feira (28). Diante da constatação irreversível, os pais de Carlos Alberto autorizaram a doação de órgãos. Segundo parentes, a decisão foi tomada com o objetivo de permitir que outras vidas sejam salvas, e a equipe de transplantes irá captar todos os órgãos viáveis para doação.

Carlos Alberto foi atingido por um disparo na cabeça durante uma ação da Polícia Militar na noite de domingo (25), na região sul da cidade. Ele estava em uma motocicleta com registro de furto, sem capacete, e teria desobedecido à ordem de parada. Após ser baleado, foi socorrido e levado ao Hospital Municipal, onde permaneceu internado em estado gravíssimo até a confirmação da morte cerebral, ocorrida na terça-feira (27). O caso segue sob investigação.

Segundo relatos da família, os médicos informaram que o jovem já não apresentava qualquer reação a estímulos. Com a confirmação do diagnóstico, começaram as tratativas para a captação dos órgãos e, posteriormente, a liberação do corpo para o sepultamento, que deve ocorrer nos próximos dias.

Carlos Alberto deixa um filho pequeno e a companheira, que está grávida novamente. De acordo com a tia, ele estava desempregado no momento, mas tinha acertado o início de um trabalho como ajudante de pedreiro justamente na segunda-feira (26), um dia após ter sido baleado.

“Ele trabalhava como motoboy, tinha um filho de dois anos e a esposa está grávida. Ia começar a trabalhar como ajudante. Era um menino trabalhador”, afirmou a tia. Em meio ao luto, a família pede justiça e contesta versões que circulam sobre o caso. “Meu sobrinho foi morto covardemente. Ele não estava armado, como estão dizendo. Esperamos que a investigação mostre a verdade”, desabafou.

Enquanto as circunstâncias do ocorrido seguem apuradas, a decisão da família transforma uma tragédia em esperança, permitindo que a morte de Carlos Alberto possa significar vida para outras pessoas.

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