Entre a vida e a morte: jovem baleado pela PM está em coma e família clama por justiça em São José
Baleado na cabeça durante uma perseguição policial na zona sul de São José dos Campos, o jovem Carlos Alberto Chagas Júnior, de 21 anos, permanece internado em estado gravíssimo, em coma, na UTI do Hospital Municipal da Vila Industrial. O caso ocorreu na noite de domingo (25) e segue cercado de versões divergentes, dor familiar e questionamentos sobre a ação policial.
Segundo familiares, Carlos Alberto foi atingido por um disparo na cabeça, com sangramento intenso e perda de massa encefálica. Ele foi socorrido ainda com vida, encaminhado ao centro cirúrgico e, após o procedimento, permaneceu entubado na UTI. O quadro é considerado extremamente delicado. “Ele está vivo, mas o estado é muito grave. Ainda corre risco de morte. Se sobreviver, acreditamos que ficará com sequelas. Agora ele está nas mãos de Deus”, desabafou uma tia do jovem.
A família relata que Carlos Alberto era motoboy, pai de um menino de três anos e que a companheira está grávida novamente. Ainda segundo os parentes, ele havia conseguido um novo trabalho e iniciaria nesta segunda-feira (26) como ajudante de pedreiro. “Era o começo de uma nova fase. Ia começar a trabalhar hoje”, afirmou a tia, visivelmente abalada.
De acordo com o boletim de ocorrência, Carlos Alberto conduzia uma motocicleta com registro de furto e pilotava sem capacete. O documento policial também informa que, após consultas aos sistemas oficiais, não foram encontradas anotações criminais em nome do jovem. A perseguição teve início após a motocicleta ser considerada suspeita e se estendeu por diversos bairros da zona sul, incluindo Parque Interlagos e Campo dos Alemães.
Na etapa final da ocorrência, houve disparos efetuados por um policial militar. Carlos Alberto foi atingido, perdeu o controle da motocicleta e colidiu contra um veículo estacionado. No local, moradores e populares se revoltaram, protestaram contra a ação policial e questionaram a demora no socorro. Segundo familiares, o jovem teria permanecido ferido no chão por um longo período aguardando atendimento médico.
O boletim registra que a Polícia Civil enquadrou o caso como flagrante para apuração dos crimes relacionados, reconhecendo, em um primeiro momento, a existência de legítima defesa por parte do agente estatal. O próprio documento, no entanto, ressalta que eventual excesso poderá ser analisado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente após a verificação das imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais envolvidos.
Ainda conforme o registro oficial, uma equipe localizou uma arma de fogo próxima ao local onde Carlos Alberto caiu. Trata-se de um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros, que foi recolhido, lacrado e relacionado ao jovem no boletim de ocorrência. Também foi apreendido o armamento do policial que efetuou os disparos. Ao todo, segundo a polícia, foram contabilizados oito disparos, com apenas um acerto.
A família, porém, contesta de forma veemente a versão de que Carlos Alberto estivesse armado. “Estão dizendo que ele estava com arma, mas isso não é verdade. Ele não atirou. A moto seria de um amigo, que ele pegou para dar uma volta. Ele errou ao fugir, sabemos disso, mas arma ele não tinha”, afirmou a tia. Segundo ela, a revolta da população no local refletiu a indignação com a forma como tudo aconteceu.
Após a queda e os disparos, a polícia confirmou, por sinais identificadores do veículo, que a motocicleta era produto de furto. O caso foi registrado com natureza de receptação de veículo, além de outros enquadramentos previstos no boletim.
Enquanto a investigação segue, Carlos Alberto permanece entre a vida e a morte, entubado, em coma, e com o futuro incerto. Do lado de fora do hospital, a família vive a angústia da espera, dividida entre a fé, a dor e o desejo de que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos.


