Política baixa trava projeto social: Agenor do Todico e Michel do Xandão pedem vista, barram Frente de Trabalho e geram revolta em Cachoeira Paulista
O que poderia ter sido um passo concreto para aliviar o sofrimento de quem vive em situação de vulnerabilidade acabou se transformando em mais um capítulo da política miúda em Cachoeira Paulista. Durante a votação do projeto que criaria a Frente de Trabalho, os vereadores Agenor do Todico e Michel do Xandão pediram vista da proposta, interrompendo sua tramitação e gerando forte reação negativa da população.
A proposta partiu do Poder Executivo e foi apresentada oficialmente ao plenário na terça-feira (13), após análise e parecer favorável da Comissão de Justiça e Redação. A previsão era de que o projeto fosse apreciado já na sessão seguinte, porém os dois vereadores que compõem a Comissão de Saúde e Assistência Social solicitaram vista, interrompendo o andamento da matéria. Na sessão, dos 13 parlamentares da Casa, 11 estiveram presentes.
Com o pedido de mais prazo para avaliação, a proposta acabou retirada da pauta e não avançou para votação. Poucas horas depois, o prefeito Breno Anaya (PP) utilizou as redes sociais para comentar o adiamento e demonstrar contrariedade com a decisão. Em vídeo, ele destacou a urgência da iniciativa, ressaltando que o município enfrenta limitações na equipe de zeladoria, o que compromete a manutenção urbana. O prefeito reforçou ainda que a Frente de Trabalho tem finalidade social, direcionada a moradores desempregados e em situação de vulnerabilidade, e não possui motivação política.
O tiro, porém, saiu pela culatra. O projeto não era apenas uma iniciativa de zeladoria. Tratava-se de um programa social emergencial, pensado justamente para atender cachoeirenses em situação de vulnerabilidade. Se tivesse sido aprovado, o edital poderia ter sido publicado já no dia seguinte, abrindo portas para dezenas de pessoas.
A proposta previa critérios claros e objetivos:
jornada de 6 horas diárias
auxílio mensal de R$ 1.000,00
destinado a quem atende critérios sociais
obrigatoriamente residente em Cachoeira Paulista
Ao barrar o avanço do projeto, o impacto não recaiu sobre o Executivo, mas sobre quem mais precisa. Famílias que aguardavam uma chance de renda, dignidade e inclusão social viram a oportunidade ser adiada por um movimento político que pouco dialoga com a realidade das ruas.
E não faltou ironia nos bastidores. Comentou-se que o vereador até tentou “estudar o projeto na hora”, mas como não havia rastreador disponível para localizar os pontos principais da proposta, preferiu pedir vista. Teve quem brincasse que, se o texto tivesse GPS, talvez a votação tivesse seguido normalmente. Em uma cidade onde até carro vira assunto de rastreamento político, o projeto social acabou perdido no caminho.
A reação popular foi imediata. Críticas se multiplicaram, apontando que a decisão não prejudicou um governo, mas pessoas reais. A cidade segue com problemas visíveis de limpeza urbana, enquanto cidadãos em vulnerabilidade continuam sem acesso a uma alternativa emergencial de trabalho.
O episódio expôs um desgaste político significativo para Agenor do Todico e Michel do Xandão. Em vez de serem vistos como fiscais ou aprimoradores da proposta, passaram a ser associados ao bloqueio de um projeto social que poderia aliviar o dia a dia da cidade. Nas rodas de conversa, a piada amarga se repetia: rastreador até virou tema, mas o rumo do voto ninguém conseguiu encontrar.
Apesar do revés, a defesa da Frente de Trabalho segue firme. O discurso que ecoa é claro: o compromisso precisa ser com as pessoas e com a solução dos problemas concretos da cidade, não com manobras que só atrasam quem mais precisa. A expectativa agora é que o projeto volte à pauta e que a política dê lugar à responsabilidade social.

