Suspeito de liderar execução de jovens mineiros reage à prisão, troca tiros com a polícia e morre em Navegantes
O homem apontado pela Polícia Civil como um dos principais responsáveis por uma sequência de sequestros, torturas e homicídios registrados na Grande Florianópolis, incluindo a execução brutal de quatro jovens vindos de Minas Gerais, morreu após reagir a uma tentativa de prisão em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. A ação ocorreu na manhã desta sexta-feira (16) e encerrou a caçada a um investigado considerado de alta periculosidade pelas forças de segurança.
Segundo informações apuradas durante a operação, o suspeito, de 30 anos, estava foragido e se escondia em uma residência no bairro São Paulo. Equipes da Polícia Civil cercaram o imóvel após trabalho de inteligência e monitoramento. No momento em que os agentes tentaram cumprir a ordem de prisão, o homem teria reagido armado com um revólver, dando início a um confronto. Ele foi atingido, socorrido ainda no local, mas não resistiu aos ferimentos. Nenhum policial ficou ferido. A identidade do suspeito não foi divulgada oficialmente.
O delegado Anselmo Cruz afirmou que o homem era tratado como uma liderança criminosa ligada a uma facção com atuação na região metropolitana de Florianópolis. De acordo com a investigação, ele coordenava ações violentas envolvendo sequestros, cárcere privado, tortura e assassinatos, utilizados como forma de controle territorial e punição interna do grupo criminoso. Natural de São José, na Grande Florianópolis, o suspeito possuía uma longa ficha criminal, com condenações por homicídio e tráfico de drogas, e já havia cumprido quase uma década no sistema prisional.
A Polícia Civil confirmou que ele teve participação direta no assassinato de quatro jovens mineiros encontrados mortos no início do mês em uma área de mata no município de Biguaçu. Os corpos foram localizados às margens de uma estrada no bairro Fundos, amarrados, em avançado estado de decomposição e com sinais de extrema violência, incluindo indícios de mutilação. A cena chocou até investigadores experientes e gerou forte comoção em Santa Catarina e em Minas Gerais.
As vítimas foram identificadas como Bruno Máximo da Silva, de 28 anos; Daniel Luiz da Silveira, também de 28; Guilherme Macedo de Almeida, de 20; e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19 anos. Amigos de longa data, os quatro haviam deixado Minas Gerais e se mudado para Santa Catarina em busca de trabalho e melhores condições de vida. Eles moravam juntos em São José e tentavam recomeçar. Guilherme, o mais jovem do grupo, estava na região havia cerca de 20 dias e já tinha um emprego garantido para iniciar na semana seguinte ao crime, o que tornou o caso ainda mais emblemático.
A investigação aponta que o desaparecimento dos jovens ocorreu dias antes da localização dos corpos e envolveu sequestro, seguido de execução. A motivação do crime ainda é apurada, mas a polícia trabalha com a hipótese de ligação com o crime organizado, possivelmente relacionada a disputas internas ou suspeitas levantadas pela facção criminosa que atua na região.
Com a morte do suspeito durante a tentativa de prisão, a Polícia Civil reforça que as investigações continuam e que outros envolvidos já foram identificados. Novas diligências estão em andamento para desmontar a estrutura criminosa ligada ao caso e responsabilizar todos os participantes. O inquérito segue em fase avançada, e novas prisões não estão descartadas.


