Sábado, Março 7, 2026
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Adeus, Alzira: Quem era a tenente que dedicou a vida a salvar pessoas e perdeu a própria no Vale

A morte da primeira-tenente do Exército Brasileiro Alzira de Souza Moreno, aos 35 anos, deixou um rastro de comoção e silêncio no Vale do Paraíba. Médica militar, integrante do efetivo do Hospital Militar de Área de São Paulo, Alzira construiu sua trajetória marcada pelo compromisso com a vida, pela ciência e pelo serviço ao país.


Ela estava em período de férias ao lado do marido, também militar, quando a tragédia aconteceu. Na tarde de quarta-feira (14), o carro do casal foi atingido por uma árvore que caiu sobre a pista da rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), na altura do km 18, no bairro Registro, em Taubaté. O impacto foi violento. Alzira chegou a ser socorrida com vida e levada ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos. O marido, de 39 anos, militar da Força Aérea Brasileira, segue internado, sob cuidados médicos.


A confirmação da morte mobilizou manifestações oficiais do Exército. Em nota, o Comando Militar do Sudeste informou que a tenente estava em férias no momento do acidente e destacou que todo o apoio psicológico, administrativo e religioso está sendo prestado à família. O velório e o sepultamento devem ocorrer em Taubaté, com horários ainda a serem definidos.


Além da atuação clínica no meio militar, Alzira também se destacava no campo acadêmico. No ano passado, ela assinou, ao lado de outros cinco estudantes de medicina, um trabalho científico publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, reforçando seu perfil dedicado não apenas ao atendimento, mas também à produção de conhecimento na área da saúde.


O boletim de ocorrência aponta que chovia levemente no momento do acidente. O veículo, um VW Up Move, foi atingido diretamente pela queda da árvore. As equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros realizaram o resgate, e a Polícia Rodoviária foi acionada. A árvore e o carro acabaram sendo removidos para um local seguro antes da chegada da perícia, o que exigirá a solicitação posterior de exames técnicos para avaliar as condições do local, o estado da árvore e possíveis sinais prévios de risco.


O caso foi registrado como morte acidental e morte suspeita a esclarecer, além de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. Foram requisitados exame necroscópico para Alzira, exame de corpo de delito para o marido e perícia no veículo envolvido.


Fica a despedida precoce de uma médica, militar e pesquisadora que escolheu salvar vidas como missão. Adeus, Alzira. Sua história segue viva no serviço prestado, no conhecimento produzido e na memória de quem cruzou seu caminho.

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