Dois suspeitos são identificados pelo ataque que matou Ana Júlia em Aparecida; investigação aponta que jovem não era o alvo
A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira, 9 de dezembro, que dois suspeitos já foram identificados pelo ataque a tiros que matou Ana Júlia Jacinto Resende, de 22 anos, e deixou duas amigas feridas em Aparecida. O crime aconteceu na madrugada de domingo, 7 de dezembro, quando o grupo retornava de uma pastelaria após sair de uma festa na Sociedade Hípica de Guaratinguetá.
Ana Júlia estava no banco traseiro direito de uma Land Rover Evoque vermelha, conduzida por Isaías Abraão Mendes da Silva, funcionário de uma agência de veículos. O utilitário foi alvejado por diversos disparos na região do estádio “Penidão”, e a jovem acabou atingida de maneira fatal.
Buscando ajuda, Isaías dirigiu até o Santuário Nacional de Aparecida, onde câmeras de segurança registraram o momento em que ele carregou a vítima pelo pátio. As imagens revelaram ainda um quinto ocupante, que desceu do carro e caminhou pelo local antes do grupo seguir para o pronto-socorro de Aparecida. Essa pessoa havia sido omitida tanto pelo motorista quanto por uma das testemunhas.
No hospital, Ana Júlia não resistiu. Após deixá-la para atendimento, Isaías voltou sozinho a Guaratinguetá e abandonou o veículo em uma rua do bairro Clube dos 500, alegando medo de represálias.
Os depoimentos prestados à Polícia Civil apresentaram contradições importantes. Uma das amigas confirmou a presença do quinto ocupante; a outra negou. Confrontado pelas filmagens, Isaías admitiu a existência do homem, mas se recusou a revelar sua identidade, afirmando que ele é casado e não queria “prejudicá-lo”. Informações obtidas por investigadores sugerem que esse passageiro seria, na verdade, o alvo real dos atiradores.
O veículo, localizado pela Polícia Militar com ao menos quatro perfurações de tiros, passou por perícia, que recolheu fragmentos de projéteis. A Polícia Civil apreendeu os celulares de Ana Júlia e das duas amigas para análise, mas Isaías negou acesso ao seu aparelho.
O delegado Marcelo Hial, responsável pela investigação, afirmou ao SBT que Ana Júlia não era o alvo. “Nós já temos uma linha de investigação, dois suspeitos identificados e o veículo utilizado no crime. Assim que tivermos a qualificação completa, serão solicitadas buscas e prisão temporária. Mas, por cautela, precisamos consolidar os elementos”, declarou.
Outro ponto que chamou atenção do inquérito diz respeito ao suposto “amigo vereador de Aparecida” que Isaías afirmou ter acionado após abandonar o carro. Em nota oficial, a Câmara Municipal negou qualquer envolvimento: “Não existe entre os membros da atual legislatura qualquer indivíduo que possa ser identificado como o suposto amigo mencionado”. A Casa informou ainda que está à disposição da DIG para colaborar com as apurações.
A investigação conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais de Guaratinguetá busca esclarecer:
• a identidade e o papel do quinto ocupante;
• quem era o verdadeiro alvo dos disparos;
• de onde partiram os tiros;
• qual foi a motivação do ataque.
Até o momento, ninguém foi preso.

