Sábado, Março 7, 2026
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Polícia Investiga Ataque a Tiros que Matou Jovem e Deixou Três na Linha de Fogo Entre Guaratinguetá e Aparecida

A Polícia Civil apura um ataque a tiros que terminou com a morte de Ana Júlia Jacinto Resende, de 22 anos, e colocou outras três pessoas sob risco na madrugada deste domingo (7), entre Guaratinguetá e Aparecida. O caso, tratado como homicídio consumado e tentativa de homicídio, ainda não tem autoria identificada.

Segundo o boletim de ocorrência, Ana Júlia estava em uma Land Rover Range Rover Evoque vermelha acompanhada de Núbia Cristina de Oliveira Silva, Anna Luiza da Silveira dos Santos e Isaias Abraão Mendes da Silva, que conduzia o veículo. O grupo havia passado a madrugada em uma festa na Sociedade Hípica de Guaratinguetá e, ao deixar o evento, seguiu para o bairro Ponte Alta, em Aparecida, onde parou para comer pastel.

Na volta, já dentro do carro, ao passarem próximo a um viaduto próximo ao estádio “Penidão”, os ocupantes relataram ter ouvido vários disparos de arma de fogo. Ana Júlia, que estava no banco traseiro direito, foi atingida. Anna Luiza contou que gritou para que todos se abaixassem, enquanto tentava conter o sangramento da amiga com lenços.

Diante da gravidade, o grupo inicialmente buscou ajuda no Santuário Nacional, onde o veículo aparece em imagens de segurança às 5h14. Nessas imagens, a polícia identificou um quinto ocupante — um homem que desce do banco dianteiro e é abordado por um funcionário antes de o carro partir novamente. Em seguida, todos seguiram para o Pronto-Socorro de Aparecida. Ana Júlia foi levada nos braços por Isaias, mas não resistiu aos ferimentos.

Após deixar a vítima no hospital, Isaias saiu sozinho com a Land Rover e abandonou o veículo no bairro Clube dos 500, em Guaratinguetá, afirmando que estava com medo de represálias. Ele foi levado de volta ao pronto-socorro por um amigo vereador de Aparecida. O acionamento da Polícia Militar foi feito pela equipe médica, e não pelos ocupantes do carro.

A PM localizou o utilitário de luxo com ao menos quatro perfurações de tiros e acionou a perícia. Fragmentos de projéteis foram recolhidos, e o veículo, registrado em nome de um morador de Lorena, acabou apreendido.

Nos depoimentos, surgiram divergências sobre o quinto ocupante. Anna Luiza confirmou sua presença e disse que ele era amigo de Isaias, casado, e que foi deixado no Santuário antes do socorro. Núbia negou que houvesse alguém a mais no carro. As imagens, contudo, confirmam a existência desse motorista adicional. Inicialmente, Isaias também omitiu o fato, mas admitiu após ser confrontado. Ainda assim, se recusou a revelar a identidade do homem, dizendo que não queria “prejudicá-lo”. Informações preliminares levantadas pela polícia indicam que este quinto ocupante pode ter sido o verdadeiro alvo dos atiradores.

Devido às contradições, a Polícia Civil apreendeu os celulares de Ana Júlia, Núbia, Anna Luiza e Isaias para análise de mensagens, ligações e possíveis conexões com o autor dos disparos. Núbia e Anna Luiza autorizaram acesso; Isaias negou consentimento.

Durante diligências, a PM encontrou uma cápsula de munição próxima ao possível ponto do ataque. Um boletim complementar foi registrado exclusivamente para perícia de local de disparo.

A investigação, sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Guaratinguetá, deverá reunir:

• identificação do quinto ocupante da Land Rover
• eventual ligação dele com a motivação do ataque
• origem dos disparos (carro, moto ou atirador a pé)
• análise de câmeras, perícias balísticas e laudos necroscópicos

Até o momento, ninguém foi preso, e a autoria permanece desconhecida. A morte de Ana Júlia gerou forte comoção na região, enquanto a polícia segue trabalhando para esclarecer por que o grupo foi alvo e quem era o real foco do atentado.

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