Caso Regina Rachid volta a ganhar capítulo decisivo em São José com soltura da esteticista condenada pela morte de americano
A história criminal que há quase duas décadas acompanha São José dos Campos voltou a se movimentar com intensidade. Condenada pela morte do carpinteiro e músico norte americano Raymond James Merrill, a esteticista Regina Filomena Crasovich Rachid, presa em 2023 após período de fuga, deixou a prisão e passou a cumprir a pena em regime aberto conforme decisão da Justiça.
Regina havia sido presa no início de agosto de 2023. A condenação original, proferida no fim de 2021, determinou trinta e três anos de reclusão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O caso envolveu o assassinato de Merrill em 2006, quando ele veio a São José dos Campos para encontrá la após se conhecerem pela internet. O Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a condenação para vinte anos após recurso da defesa.
A progressão para o regime aberto foi confirmada pelo Tribunal de Justiça e, em março deste ano, tornada possível. A decisão efetiva ocorreu quando o juiz determinou a soltura de Regina com base em acórdão de habeas corpus. Antes disso, em abril do ano anterior, ela havia tentado passar ao semiaberto, mas o pedido foi negado enquanto cumpria pena na Penitenciária Feminina 2 de Tremembé. Em treze de fevereiro de 2025 o juiz José Loureiro Sobrinho autorizou o semiaberto, mas manteve a recusa ao regime aberto naquele momento. O Ministério Público havia se manifestado contra a progressão.
Em sua decisão, o magistrado ressaltou que Regina apresentava boa conduta carcerária, não tinha faltas disciplinares registradas, já havia cumprido mais de um sexto da pena, possuía situação processual definida, trabalhava internamente e havia sido aprovada em exame criminológico. O juiz descreveu a progressão como uma mudança para um regime menos rígido, porém ainda sob vigilância, entendendo que ela se mostrava mais amadurecida e com perspectiva de reintegração social.
Em doze de março de 2025 o mesmo juiz determinou a liberação de Regina para cumprir a pena em regime aberto. Ela foi orientada sobre as condições que deverá seguir. Entre as exigências estão o comparecimento trimestral à Vara de Execuções Criminais de São José dos Campos para informar sobre suas atividades, a obrigação de manter ocupação lícita, autorização para sair de casa somente após as seis horas da manhã e retorno até às vinte e duas horas, inclusive em fins de semana e feriados, salvo permissão expressa da Justiça.
Regina não poderá mudar de residência sem informar o juízo e tampouco se deslocar para outra comarca sem autorização. Também está impedida de frequentar bares, casas de jogo e locais considerados incompatíveis com o regime aberto. Em quatro de julho de 2025, conforme registrado no processo, ela foi devidamente advertida sobre todas as condições impostas.
O crime que chocou a região ocorreu no início de abril de 2006. De acordo com as investigações, o americano Raymond James Merrill teria sido dopado, teve sua conta bancária esvaziada em aproximadamente cem mil dólares e acabou morto por enforcamento com um fio de cobre. O corpo foi queimado e abandonado em uma estrada rural de Caçapava.
O julgamento se estendeu por três dias. Além de Regina foram julgados Nelson Siqueira Neves, apontado como amante e possível mentor do crime, e Evandro Celso Augusto Ribeiro, contratado para auxiliar na execução. Nelson foi absolvido. Evandro recebeu condenação de três anos em regime semiaberto pelo crime de ocultação de cadáver.
Regina já havia obtido liberdade anteriormente. Em fevereiro de 2022, poucos meses após a condenação original, a Justiça permitiu que ela recorresse em liberdade. Desde 2012 ela permanecia fora da prisão por decisão do Superior Tribunal de Justiça. A soltura recente marca um novo momento do caso e reinaugura mais um capítulo da longa trajetória judicial envolvendo o nome de Regina Rachid.


