Entregador de Jacareí é cercado, espancado e roubado por gangue na Irlanda; cirurgia na cabeça e 15 dias de internação expõem brutalidade do ataque
A violência foi extrema. André, jovem brasileiro com familiares em Jacareí, no interior de São Paulo, foi brutalmente atacado em Dublin, na Irlanda, enquanto trabalhava como entregador de bicicleta. A agressão, praticada por uma gangue com cerca de 10 pessoas, terminou em um quadro clínico grave: cirurgia emergencial na cabeça, fratura no ombro, hemorragia interna e severas lesões no tornozelo.
André permanece internado no Beaumont Hospital, um dos principais hospitais universitários e centros de trauma de Dublin. Os médicos estimam ao menos 15 dias de internação até que haja possibilidade de alta, dependendo da evolução do pós-operatório e da recuperação motora.
O ataque aconteceu na região do Royal Canal, em Phibsborough, bairro da capital irlandesa. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o próprio André narrou o momento em que foi encurralado enquanto fazia entregas de bicicleta. Um dos agressores usava um grande pedaço de pau como arma, desferindo o golpe mais crítico ao atingi-lo na cabeça, derrubando a vítima no local.
“Eu fui atacado por um grupo, tinha umas 10 pessoas. Um deles me atacou com um pedaço de pau grande, acertou a cabeça. Eu caí no chão, fraturei meu ombro, torci o pé e ele me bateu mais na cabeça. Tive que fazer cirurgia. Eu tive uma hemorragia interna”, relatou o jovem, ainda no leito do hospital.
A violência não cessou mesmo após a queda. Segundo André, o grupo continuou as agressões com mais pauladas, socos no rosto e golpes diretos ao corpo, enquanto comparsas filmavam, riam e debochavam da situação.
“Eles me deram mais pauladas na cabeça e soco na cara, levaram minha bike e o celular, e ainda filmaram. Eu estava no chão e eles continuaram a me bater”, afirmou.
Além do espancamento, a gangue roubou sua bicicleta e seu celular, seus principais instrumentos de trabalho e comunicação. Os criminosos teriam fugido na sequência, deixando a vítima ferida e sem meios próprios de pedir ajuda.
Camila, esposa de André, confirmou que o caso foi registrado junto à Garda, a polícia irlandesa, que já abriu investigação. A família aguarda o avanço das diligências e mantém a esperança de que os agressores sejam identificados e responsabilizados segundo as leis do país.
A repercussão do crime mobilizou a comunidade brasileira que vive na Irlanda. Compatriotas organizaram uma campanha na plataforma GoFundMe para ajudar com despesas médicas e dar suporte a André no período em que permanecerá sem trabalhar. A meta é arrecadar 10 mil euros, valor estimado para cobrir custos iniciais do tratamento e reabilitação.
O episódio expõe não apenas a violência física, mas a crueldade do ataque: ação em grupo, uso de arma improvisada, filmagem do crime e o deboche da vítima enquanto estava em completa vulnerabilidade.
Longe do Brasil, André começa agora outra batalha — a da recuperação física e psicológica — sustentado pela fé e pela solidariedade de milhares de brasileiros que acompanham sua história.


