Sábado, Março 7, 2026
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Caminho interrompido na estrada mística: “Passarinho” morre atropelado e motorista foge deixando São Tomé em luto

Maratonista conhecido como “espírito livre” perde a vida em atropelamento; autor abandonou caminhonete e desapareceu na mata

A noite de São Tomé das Letras, famosa por suas paisagens místicas e pelas estradas que cortam montanhas e áreas rurais, foi marcada por tragédia. Um atleta maratonista de 38 anos, amplamente conhecido na cidade pelo apelido de “Passarinho”, morreu após ser atropelado por uma caminhonete na terça-feira (25), na rodovia LMG-868, no km 5, próximo à região da Pontinha, na zona rural do município mineiro.

De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, após atingir a vítima, o motorista abandonou o veículo no local e fugiu sem prestar socorro. A caminhonete permaneceu às margens da rodovia como principal evidência do caso. O condutor já foi identificado pelas equipes de segurança pública e é ativamente procurado desde então.

A vítima, identificada como Juliano de Castro, 38 anos, ainda foi socorrida rapidamente por uma ambulância municipal, mas não resistiu aos ferimentos, dando entrada no pronto socorro já sem vida. Após a constatação do óbito, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Três Corações, onde passou pelos procedimentos legais de perícia e liberação.

O caso avançou para desfechos dolorosos no dia seguinte. Na quarta-feira (26), equipes policiais realizaram buscas em área de mata nas proximidades do acidente, mobilizando efetivo para localizar o motorista fugitivo. Apesar da identificação do suspeito, ele não havia sido encontrado até o momento da última apuração divulgada pelas autoridades.

A morte de Juliano comoveu profundamente São Tomé das Letras. Após os procedimentos no IML, o atleta foi velado na Igreja do Rosário, espaço tradicional da cidade e local de grande valor simbólico para a comunidade. Em seguida, foi sepultado no Cemitério Municipal de São Tomé das Letras, acompanhado por amigos, familiares e moradores que o admiravam, tanto pelo esporte quanto por sua forma leve e singular de enxergar o mundo.

A Prefeitura de São Tomé das Letras lamentou oficialmente a morte do atleta, destacando sua relevância e seus laços afetivos com a cidade. Juliano, além de corredor de rua, foi ex-funcionário de navios, experiência que ele frequentemente mencionava ao falar sobre liberdade e movimento. Conhecido como “Passarinho” por se considerar um espírito livre, era descrito como alguém querido, carismático e apaixonado por correr — não apenas em provas, mas nas estradas, trilhas e no próprio exercício de viver.

O episódio expõe um contraste brutal: em uma cidade que celebra liberdade, conexão com a natureza, arte e espiritualidade, aquele que dizia correr para se sentir vivo encontrou a morte na estrada, enquanto o autor do atropelamento corre para fugir da lei, embrenhando-se justamente nas matas que tantos frequentam para encontrar a paz.

O caso segue em investigação, com clamor por justiça ecoando entre as montanhas e o povo de São Tomé.

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