Servidora acusa presidente da Câmara, Marco Aurélio, por agressão na repartição e formaliza desejo de representação criminal
A Câmara Municipal de Silveiras foi palco de uma crise interna que ultrapassou o debate institucional e chegou ao campo policial. Uma servidora pública e procuradora jurídica da Casa, Thais Cardoso Fernandes Gonçalves, formalizou denúncia de agressão por parte do vereador e presidente da Câmara, Marco Aurélio Gonçalves Ferreira Diniz, em boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia Civil de Silveiras (DEL.POL.SILVEIRAS), apontado como caso de “vias de fato” ocorrido dentro da repartição pública.
A vítima compareceu à delegacia para relatar que, ao chegar ao seu ambiente de trabalho, cumprimentou os colegas, mas foi ignorada, o que despertou estranhamento. Na sequência, Thais declarou ter percebido a ausência de repasse de documentos que seriam de sua responsabilidade funcional, situação que, segundo ela, já se somaria a episódios anteriores de assédio moral no setor administrativo da Câmara. Ainda conforme o depoimento, ao solicitar que os assédios fossem registrados em ata, o pedido foi expressamente negado por servidoras da administração, intensificando o clima de tensão.
Em busca de apoio institucional e esclarecimento dos fatos, Thais então procurou o Assessor de Relações Institucionais, Israel Cardoso Rocha Lemos, solicitando que ele intermediasse contato com a Presidência da Casa para dirimir conflitos e assegurar as prerrogativas de sua atuação jurídica interna. O presidente, Marco Aurélio, atendeu ao chamado e se dirigiu ao local. No entanto, a abordagem inicial teria excluído a procuradora: todos os funcionários, menos a vítima, foram convocados para uma sala reservada para tratar da situação, medida que a servidora afirmou ter considerado hostil e discriminatória.
A escalada final do confronto aconteceu quando a procuradora bateu à porta e solicitou o uso da Sala da Presidência para concluir trabalhos pendentes da Casa. Foi neste momento que, segundo o BO, o presidente saiu da sala vociferando, em manifestações de forte conteúdo emocional, e proferiu diretamente contra ela a frase: “Sai daqui, eu não te aguento mais… você só me arruma confusão“. Na sequência, ela foi empurrada de forma brusca e deliberada, ação que só não prosseguiu porque Marco Aurélio foi contido fisicamente por Israel, que, conforme descrito, evitou um dano maior à servidora.
Após o empurrão, Thais acionou a Polícia Militar via telefone 190 e também informou o Conselho de Prerrogativas da OAB, por temer nova aproximação do presidente em ambiente isolado. De acordo com o relato, Marco Aurélio voltou momentos depois, em tom mais ameno e buscando conversa reservada, mas a servidora afirmou ter se sentido insegura e solicitou que o presidente se retirasse do local. Neste ponto, outro vereador presenciava o cenário e interveio.
O boletim indica que o vereador Zé Ritinha, identificado como Zé Ritinha, do Republicanos, ao tomar ciência da agressão, adentrou a sala e solicitou, de forma firme, que Marco Aurélio se afastasse do local onde a procuradora permanecia. Segundo a narrativa, Zé Ritinha exigiu a retirada do presidente da sala, sinalizando que o chefe do parlamento deveria preservar a integridade física e emocional da servidora no exercício do cargo, além de reiterar a necessidade de afastamento imediato diante do flagrante ali exposto.
A vítima foi então acompanhada até a delegacia pela guarnição da PM — Cb PM Vivian e Cb PM Martins, para formalização do boletim sob o enquadramento de “vias de fato”, termo que tipifica agressões sem necessariamente deixar vestígios corporais, mas com contato físico hostil ou empurrões. No depoimento, Thais declarou desejo expresso de representar criminalmente contra Marco Aurélio Gonçalves Ferreira Diniz, oficializando a intenção perante a autoridade policial.
O caso segue agora para análise do delegado titular, que apreciará o pedido e dará andamento às providências cabíveis no inquérito correlato, considerando o contexto de repartição pública, o vínculo funcional da vítima com a Casa e o cargo hierárquico do suposto agressor como presidente do Legislativo Municipal.
O jornal A Notícia tentou contato com o presidente da Casa, Marco Aurélio, para apresentar sua versão dos fatos. Aguardamos a versão do vereador e presidente para que possamos publicar no mesmo espaço editorial, garantindo o contraditório e a transparência da apuração jornalística.

