Morre aos 95 anos Delmar Winck, marido de Beatriz, desaparecida em um dos maiores mistérios do Vale da Fé
Delmar Winck, de 95 anos, encerrou sua jornada neste sábado (22), deixando para trás uma história marcada por amor, resistência e uma dor que jamais encontrou respostas. Ele foi cremado na tarde de domingo (23), após o velório realizado no Complexo Velatório Caridade, em Portão (RS). Sua morte reacende a lembrança de um dos casos mais enigmáticos do Vale da Fé: o desaparecimento de sua esposa, Beatriz Winck, sumida há 13 anos durante uma excursão ao Santuário Nacional de Aparecida.
Beatriz desapareceu em 21 de outubro de 2012, aos 76 anos. Ela viajava em um grupo de romeiros quando, em circunstâncias nunca esclarecidas, deixou de ser vista. Não houve testemunhas, não houve pistas confiáveis, não houve qualquer rastro concreto que indicasse seu destino. O caso causou grande mobilização à época e até hoje permanece sem solução, consolidando-se como um dos mistérios mais intrigantes envolvendo romarias no Vale.
Desde então, Delmar passou a conviver com um silêncio que pesava mais do que qualquer diagnóstico. Segundo familiares, a ausência de Beatriz o abalou emocionalmente de forma profunda. Nos últimos anos, sua saúde foi se deteriorando, agravada por episódios de AVC e pela angústia permanente de não saber o que realmente aconteceu naquela viagem que deveria ter sido apenas mais um momento de fé e devoção.
Nascido em 7 de novembro de 1930, Delmar acompanhou mudanças decisivas na história da região, incluindo a emancipação de Portão em 1963. Era conhecido pela simplicidade, pela vida de trabalho e pela dedicação à família. Seu cotidiano, antes tranquilo, mudou drasticamente após o desaparecimento da esposa, episódio que marcou sua velhice com um sofrimento silencioso, mas visível para quem convivia com ele.
Entre a esperança e a resignação, Delmar viveu os últimos 13 anos aguardando uma resposta que nunca chegou. Morreu com a mesma pergunta que ecoa desde 2012: o que aconteceu com Beatriz durante aquela excursão ao Santuário de Aparecida?
A partida de Delmar encerra um capítulo emocionalmente intenso para a família Winck, mas também reacende a reflexão sobre o drama que ainda permanece sem desfecho. Enquanto amigos e parentes se despedem, o mistério segue aberto — tão presente quanto a memória do casal que, de forma inesperada, tornou-se parte de uma das histórias mais dolorosas e inesquecíveis do Vale da Fé.


