Terça-feira, Março 31, 2026
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URUPEMA VAI AO CHÃO EM 6 SEGUNDOS: IMPLOSÃO HISTÓRICA SACODE O CENTRO DE SÃO JOSÉ

O relógio mal piscou. Em apenas seis segundos, um dos prédios mais emblemáticos de São José dos Campos virou história. O antigo Hotel Urupema, inaugurado em 1976 e por décadas referência na avenida Nove de Julho, desabou na manhã deste domingo (16) em uma implosão meticulosamente calculada — e totalmente controlada.

Foram usados 50 quilos de explosivos para derrubar o edifício, que dará lugar a uma torre mista de 17 andares, já completamente comercializada, com apartamentos e lojas. O novo empreendimento promete reescrever o perfil do bairro central, onde o hotel reinou como símbolo de uma era.

Responsável por outras demolições marcantes na cidade, como a do prédio no Jardim Aquarius há pouco mais de um ano, o engenheiro de minas Manoel Jorge Diniz Dias, o Manezinho — um dos maiores especialistas em implosões do país — explicou que tudo foi planejado para que o colapso ocorresse dentro do estacionamento do próprio terreno.
Segundo ele, os explosivos não destroem o prédio por inteiro: retiram apoios estruturais calculados, permitindo que a gravidade faça o restante do trabalho em uma pequena fração de tempo.

“Há espaço no estacionamento para direcionar a queda do prédio. Os explosivos não derrubam o edifício; eles retiram apoios calculados para que a gravidade faça o trabalho em uma janela muito curta”, destacou o engenheiro.

Após o desabamento, Manezinho se mostrou emocionado e revelou uma coincidência que considera histórica. “Hoje faz 50 anos da primeira implosão no Brasil, na Praça da Sé, em São Paulo. Quis o destino que essa aqui acontecesse justamente nesta data.”

A operação mobilizou um forte esquema de segurança. Moradores do entorno tiveram de deixar suas casas uma hora antes da implosão. Equipes da Guarda Civil Municipal, Defesa Civil, trânsito e escoltas completaram o cinturão de proteção. A escolha pela implosão, segundo o engenheiro, evita meses de poeira, ruído, britadeiras e bate-estacas, concentrando o impacto em um único dia e reduzindo riscos para quem vive ou trabalha na região.

Para minimizar a dispersão de poeira, piscinas instaladas no topo do prédio e sistemas de vaporização criaram uma “barreira úmida”. A própria chuva deste domingo ajudou a reduzir ainda mais o pó.

Agora, no terreno que por quase 50 anos abrigou o Hotel Urupema, está prevista a construção de uma torre moderna de 17 andares. Totalmente vendida antes mesmo de ser erguida, ela simboliza a nova fase de uma das áreas mais tradicionais de São José dos Campos — onde um ícone caiu, mas outro já começa a nascer.

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