“Onde a Fé Respira”: Padre Márlon Múcio deixa a UTI e afirma estar “mais vivo do que nunca”
O padre Márlon Múcio, de Taubaté, voltou a ser notícia não pela dor que enfrenta, mas pela fé que insiste em florescer nele. Nesta quinta-feira (13), o religioso recebeu alta da UTI onde estava internado desde domingo (9), após novas complicações da doença raríssima que carrega como cruz e missão: a Deficiência do Transportador de Riboflavina (RTD).
Mesmo tomando diariamente uma quantidade impressionante de medicamentos — são 281 comprimidos por dia, número que já chegou a 315 — Márlon saiu da UTI com o espírito de quem renasce. Ao deixar o setor crítico, fez questão de mostrar que a esperança continua sendo o seu ar.
“O Milagre Vivo está vivo. Mais vivo do que nunca. Vivíssimo e feliz. Trabalhando já, como lá na UTI, quando eu não estava grogue. Gratidão a todo mundo que rezou e torceu por mim. Vocês são realmente incríveis”, comemorou, numa demonstração de fé que chega a emocionar até quem não o conhece.
A internação mais recente começou de forma urgente. Em casa, o sacerdote sentiu fortes dores e precisou ser levado de ambulância para um hospital de São José dos Campos. Ele já vinha passando por sucessivas crises de saúde. Em outubro, havia voltado para casa após 14 dias internado; naquela ocasião, sua traqueostomia quebrou e a troca do dispositivo causou dor intensa e dificuldade para respirar. Sem se adaptar ao novo modelo, acabou novamente na UTI.
A fase delicada o obrigou a cancelar a participação em um evento beneficente que arrecadaria fundos para o Hospital Nossa Senhora dos Raros — unidade fundada por ele e que segue sendo a única do Brasil dedicada exclusivamente a pacientes com doenças raras.
Uma sequência de quedas. E uma sequência ainda maior de levantadas.
Nos últimos meses, a rotina hospitalar se tornou quase contínua. No dia 22 de setembro, recebeu alta da UTI após oito dias internado. No início daquele mesmo mês, passou 11 dias internado, recebeu alta, voltou para casa no dia 11 e, apenas quatro dias depois, precisou retornar às pressas no dia 15.
Em maio, foram 16 dias na UTI — período que repercutiu nacionalmente e trouxe ainda mais atenção para o quadro de saúde do sacerdote.
Apesar do panorama intenso, Márlon segue a única direção que conhece: para frente. A fé que anuncia em suas missas, livros e homilias é a mesma que coloca em prática ao enfrentar cada internação.
Vida de dores, missão de milagres
Márlon só descobriu o diagnóstico da RTD aos 45 anos, mas sua história com a doença começou muito antes. Aos 7 anos, perdeu a audição. Aos 14, passou a ter dificuldade para mastigar. Em 2010, sua saúde piorou drasticamente, e ele passou a depender de respirador 24 horas por dia.
Nada disso impediu que ele se tornasse referência nacional. Criou o Hospital Nossa Senhora dos Raros, fundou a Comunidade Missão Sede Santos, escreveu 45 livros, ganhou quase um milhão de seguidores nas redes sociais e protagonizou o filme Milagre Vivo, que retrata sua caminhada espiritual e sua luta contra a doença.
É uma vida de dores, mas também de frutos. Uma vida de quedas, mas também de milagres.
Uma fé que respira — mesmo quando o corpo luta para fazê-lo
Segundo o Ministério da Saúde, doenças raras afetam menos de 1 a cada 2 mil nascidos vivos. No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas convivam com condições semelhantes. Entre elas, o padre Márlon se tornou símbolo de resistência, coragem e espiritualidade.
Sua saída da UTI nesta quinta-feira não é apenas uma alta médica. É mais um capítulo de esperança para os que o seguem, o amam, rezam por ele e encontram em sua história um lembrete poderoso:
A fé continua respirando — e respirando fundo.


