Sábado, Março 7, 2026
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Explosão no Tatuapé: casa vira escombros e morador já havia sido investigado por soltar balões em São José dos Campos

A explosão que destruiu completamente uma casa na zona leste de São Paulo, na noite de quinta-feira (13), revelou um enredo ainda mais complexo do que o estrondo que abalou quarteirões inteiros no Tatuapé. O morador do imóvel, identificado como Adir de Oliveira Mariano, de 46 anos, já havia sido investigado pela Polícia Civil em 2011, em São José dos Campos, por envolvimento com balões equipados com fogos de artifício — prática ilegal e considerada crime ambiental.

O imóvel explodiu de forma tão violenta que restaram apenas destroços. A Polícia Técnico-Científica realiza exames no corpo encontrado entre os escombros, encontrado na rua Francisco Bueno. A principal suspeita é de que a vítima seja o próprio Adir, embora a confirmação dependa do laudo necroscópico do IML, ainda pendente.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), o local armazenava irregularmente fogos de artifício, o que reforça a linha de investigação que aponta esses materiais como possíveis causadores da explosão. Adir não foi localizado e continua oficialmente como investigado no inquérito que tenta esclarecer as circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo desastre.

A explosão deixou dez pessoas feridas, todas elas ocupantes de carros que passavam pela região no momento do incidente. Nenhuma corre risco de morte. Os veículos ficaram danificados pelo deslocamento de ar, e janelas de casas próximas estouraram. Câmeras de segurança e moradores registraram a cena impressionante, que iluminou o bairro em frações de segundo.

A ligação de Adir com fogos e balões não é recente. Em 2015, ele e outras pessoas foram absolvidas de uma denúncia por “associação criminosa” envolvendo práticas de baloeiros na região de São José dos Campos. Em 2011, ele chegou a ser detido correndo atrás de um balão que havia caído na cidade — mas acabou liberado após alegar que apenas seguia o artefato. A Justiça entendeu na época que não havia provas suficientes para condenação.

Nas redes sociais, Adir publicava fotos e mensagens relacionadas à prática de fabricar e soltar balões. Em uma postagem de 2017, escreveu um texto exaltando o ato e homenageando um amigo já falecido, citando “papel, cola, vela e fogo” como parte de uma “arte” e um “dom”.

A explosão no Tatuapé teve impacto devastador: 23 imóveis foram interditados, e diversas famílias precisaram deixar suas casas. Uma moradora relatou que o chão tremeu e que a destruição atingiu um raio equivalente a três quarteirões.

O Corpo de Bombeiros informou que a ocorrência foi registrada por volta das 19h45, mobilizando oito viaturas para atendimento imediato. As investigações seguem em andamento para determinar a origem exata da explosão e confirmar se o corpo encontrado pertence a Adir de Oliveira Mariano.

Adir Mariano (no destaque) morava na casa onde ocorreu a explosão; polícia suspeita de que ele morreu. Montagem O vale 360

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