Adeus, Rodrigo — Cruzeiro se despede do jovem barbeiro encontrado sem vida no Rio Paraíba
Cruzeiro vive um daqueles dias que ninguém gostaria de registrar. A confirmação de que o corpo encontrado no Rio Paraíba, na tarde desta quinta-feira (13), era de Rodrigo Smaily, de 37 anos, encerrou três dias de buscas e abriu uma ferida profunda na cidade. O empresário, conhecido pelo talento nas tesouras e pela educação com que recebia cada cliente, havia desaparecido na terça-feira (11), quando testemunhas relataram tê-lo visto caindo nas águas próximas à Ponte Billy Turner, no bairro Itagaçaba.
A notícia da localização do corpo correu rápido. E logo vieram as lágrimas, as lembranças, os lamentos — e a incredulidade. Rodrigo não era apenas mais um nome em uma ocorrência policial. Era o menino que muitos viram crescer, o profissional dedicado, o amigo tranquilo, o filho cuidadoso. E é por isso que Cruzeiro sente tanto.
Nas redes sociais, mensagens de despedida começaram a se multiplicar ainda antes da confirmação oficial. Amigos descrevem Rodrigo como um jovem educado, sempre respeitoso, desses que conquistam carinho por onde passam. Clientes lembram que, além de barbeiro, era quase um terapeuta de cadeira: ouvia, aconselhava, fazia rir. Uma vizinha lamentou a partida dizendo que ele tinha um coração gigante e que é difícil aceitar que alguém tão do bem tenha partido assim. Outra amiga relembrou que o viu crescer e que ainda tenta entender por que um destino tão duro cruzou seu caminho. Há também quem destaque a dor de sua mãe, Regina, mencionando que não existem palavras suficientes para confortar um coração que perde um filho.
O sentimento é geral: tristeza, saudade e uma tentativa silenciosa de compreender o que aconteceu. Rodrigo era conhecido pela discrição e pela gentileza. Muitos amigos afirmam que ele era o tipo de pessoa que fazia falta mesmo antes de ir — porque seu jeito calmo, educado e atencioso se destaca em qualquer lugar. Agora, a falta é real, doída, irreparável. Uma cliente, ainda em choque, disse que não vai conseguir esquecer as conversas durante os cortes de cabelo e que jamais imaginou ler uma notícia sobre a morte de seu próprio barbeiro. Outros lembram da simpatia que tinha na rua, das brincadeiras, da humildade.
Cruzeiro entende que perdeu mais que um jovem: perdeu alguém que fazia parte do cotidiano, dos pequenos rituais que constroem a vida de uma cidade. Não há explicação capaz de preencher o vazio deixado. Mas, enquanto a perícia tenta esclarecer as circunstâncias da morte, a comunidade se une para abraçar Regina e Milene, familiares que receberam tanto carinho nas últimas horas.
Rodrigo deixa saudade, memórias e um silêncio que pesa. A cidade se despede com respeito, oração e esperança de que ele descanse em paz — e de que a família encontre, em meio à dor, algum conforto.
Adeus, Rodrigo. Cruzeiro sente muito a sua partida.

