Sábado, Março 7, 2026
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Abordagem violenta e acusação de racismo contra adolescente de 13 anos explode em revolta em SJC

O que era para ser apenas a volta para casa após a escola terminou em humilhação, constrangimento e indignação em São José dos Campos. Um adolescente de 13 anos afirma ter sido vítima de racismo dentro do supermercado Comercial Esperança na tarde da última segunda-feira (3), em um episódio que rapidamente tomou as redes sociais e agora mobiliza moradores da cidade.

Segundo testemunhas, o menino caminhava para fora do estabelecimento acompanhado de três colegas brancos quando foi o único a ser abordado por dois seguranças. A situação, descrita pelos presentes como agressiva e discriminatória, ocorreu por volta das 16h30. O jovem teria sido revistado diante de clientes e funcionários, obrigado a colocar o material escolar no chão e submetido a apalpação na blusa e nos bolsos. Nenhum dos outros adolescentes foi sequer chamado.

Pessoas que assistiram à cena relataram que tentaram intervir, afirmando que a atitude configurava racismo e violava o Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe práticas que exponham menores à violência, constrangimento ou discriminação. A mãe do garoto contou que o filho ficou profundamente abalado. “Ele abordou somente o meu filho, pediu pra ele tirar o material da mochila no chão, apalpou a blusa de frio que ele estava e colocou a mão nos bolsos dele”, relatou, afirmando estar determinada a buscar justiça.

O caso ganhou enorme repercussão nas redes sociais e levou a população a organizar um ato público no próximo sábado (8), às 10h, no centro de São José dos Campos, em frente ao prédio da antiga Câmara Municipal. Moradores prometem transformar o protesto em um grito contra o racismo e em defesa da proteção de crianças e adolescentes.

Diante da pressão pública, o Grupo Comercial Esperança divulgou uma nota oficial em seu perfil no Instagram. No texto, a empresa afirma repudiar qualquer forma de preconceito, discriminação ou racismo e declara ter adotado medidas internas relacionadas aos envolvidos. “Valorizamos cada pessoa que entra em nossas lojas, reafirmando nosso compromisso com o tratamento digno e igualitário a todos. Assim que tomamos conhecimento dos fatos ocorridos em 03/11/2025, em São José dos Campos, adotamos as medidas cabíveis em relação a todos os envolvidos, reforçando nosso compromisso com a conscientização e o respeito à comunidade”, diz o comunicado.

A nota ainda reforça que o grupo “não tolera atitudes que atentem contra a dignidade, a igualdade e os direitos de qualquer pessoa”, assegurando que suas lojas devem manter-se como “espaços de acolhimento, empatia e respeito”.

Até agora, não há confirmação sobre registro de boletim de ocorrência por parte da família. O caso segue criando forte repercussão na cidade.

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