Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

Dois homicídios em sequência chocam o Vale do Paraíba: Cristiano Vitorino é executado em Cachoeira Paulista e Valdenir Von Muhlen é morto a tiros dentro de carro em Canas

A região do Vale do Paraíba vive dias de tensão após dois assassinatos com características de execução ocorridos em menos de uma semana. Os crimes, registrados em Cachoeira Paulista e Canas, deixaram um rastro de comoção e colocaram as forças policiais em alerta diante da violência que volta a preocupar os moradores.

Na noite de segunda-feira (20), o jovem Cristiano Vitorino, de 22 anos, foi morto a tiros em frente a uma adega na Rua Silva Caldas, bairro Vila Carmem, em Cachoeira Paulista. Segundo a Polícia Civil, o crime tem fortes indícios de execução. Cristiano chegou a ser socorrido à Santa Casa, mas não resistiu — o hospital confirmou 11 perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 20h33, após moradores ouvirem uma sequência de disparos nas proximidades do viaduto da linha férrea. No local, os policiais encontraram cápsulas deflagradas, marcas de sangue e perfurações em paredes e estruturas metálicas, configurando um cenário de ataque direto e premeditado.

O caso foi registrado como homicídio qualificado — artigo 121, §2º, inciso IV, do Código Penal — por dificultar a defesa da vítima. A mãe de Cristiano informou desconhecer qualquer desavença que justificasse o crime. O celular do jovem foi apreendido para análise, e a investigação segue sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Guaratinguetá para exames necroscópico e toxicológico.

Três dias depois, na quinta-feira (23), outro homicídio com traços de execução chocou a vizinha Canas. O corpo de Valdenir Von Muhlen, de 43 anos, foi encontrado dentro de um Chevrolet Celta preto, com placas de Gaspar (SC), na Estrada do Brejão, zona rural do município.

Segundo o boletim de ocorrência, Valdenir foi atingido por um tiro à queima-roupa acima da orelha esquerda, enquanto ainda estava sentado no banco do motorista, com o cinto de segurança afivelado. Um estojo de munição calibre .380 foi localizado dentro do carro, o que confirma que o disparo foi feito a curta distância.

No interior do veículo, os peritos apreenderam um celular, uma faca tipo açougueiro e um taser. Também foram encontrados vestígios de mãos na lataria, próximos à porta do motorista — material que será submetido à análise papiloscópica e pode auxiliar na identificação do autor.

O patrão da vítima prestou depoimento e afirmou desconhecer ameaças, dívidas ou conflitos envolvendo Valdenir. A perícia apontou que não há câmeras de monitoramento no trecho onde o homicídio ocorreu, o que pode dificultar as investigações. O corpo também foi encaminhado ao IML de Guaratinguetá para exames necroscópico e toxicológico.

Embora ainda não exista ligação direta entre os casos, as Polícias Civis de Cachoeira Paulista e Canas investigam os crimes paralelamente. As semelhanças na forma de execução — disparos à curta distância e ausência de indícios de roubo — levantam hipóteses sobre um possível padrão de atuação.

As autoridades continuam ouvindo testemunhas, analisando os laudos periciais e rastreando câmeras próximas às áreas dos crimes. Enquanto isso, moradores das duas cidades cobram respostas e reforço no policiamento diante de uma semana marcada pela violência e pela perda de duas vidas.

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