Mortes anunciadas: 73% das vítimas de homicídio no Vale já tinham passagem criminal, revela comandante da PM
Uma estatística sombria revela o retrato da violência no Vale do Paraíba: a maioria dos mortos em homicídios já havia passado pelo sistema criminal. Segundo levantamento da Polícia Militar, 73% das vítimas de assassinato na região tinham reincidência por crimes graves, como tráfico, roubo, homicídio e latrocínio.
O dado foi apresentado pelo comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), coronel Luiz Fernando Alves, que há anos acompanha a escalada da criminalidade no Vale. Para ele, os números mostram que o crime continua cobrando o seu próprio preço.
“Setenta e três por cento dos que morrem têm uma reincidência criminal. Isso mostra que, em sua maioria, são brigas internas, disputas por pontos de drogas e rivalidades entre facções. São pessoas que já estavam inseridas em contextos de violência”, afirmou o coronel.
O levantamento indica que, para além dos confrontos ocasionais, há uma guerra silenciosa em curso: o tráfico elimina os seus próprios, e as dívidas e traições entre facções continuam sendo combustível para a morte.
“Essas mortes não são, em geral, casos aleatórios. São acertos de contas, punições internas ou disputas por poder. É o crime cobrando o crime”, completou o comandante.
Os números reforçam a tendência observada nos últimos anos — a criminalidade violenta tem vitimado principalmente os reincidentes, evidenciando um ciclo que parece não ter fim: o jovem entra no crime, é preso, volta às ruas, e acaba morto antes mesmo de uma segunda chance.
Em meio à frieza dos dados, o retrato que emerge é de um sistema que não apenas falha em ressocializar, mas que também devolve à rua indivíduos marcados por um destino quase certo. O crime, no Vale, tem cada vez mais rosto conhecido — e as estatísticas confirmam: sete em cada dez mortos já estavam no mapa da polícia.

