“Estamos reduzindo a violência na RMVale”, diz comandante da PM
O coronel Luiz Fernando Alves, comandante do CPI-1, afirma que a queda dos crimes no Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira resulta de três eixos: inteligência policial, melhor emprego do efetivo e velocidade da informação, com integração entre PM, Polícia Civil, PRF, MP e prefeituras.
Um estudo da corporação mapeou “adegas” como pontos críticos: 10% dos homicídios ocorrem dentro desses locais, 25% num raio de 100 m e 52% em até 1 km. Desde novembro, a PM vistoriou 5.628 estabelecimentos, abordou 112 mil pessoas, realizou 2.144 prisões em flagrante, capturou 1.212 procurados, apreendeu duas toneladas de drogas e 424 armas, reduzindo homicídios e perturbação do sossego.
A posição estratégica da região — Dutra entre SP e RJ e ligação com MG — favorece a migração do crime. Para conter facções e tráfico, o Copom compartilha dados em tempo real com estados vizinhos. A tecnologia ganhou peso: o Muralha Paulista instalará 350 câmeras (mais 62 dispositivos) e poderá integrar sistemas municipais e privados; o Muralha Connect faz checagem biométrica em abordagens; flagrantes remotos do projeto Polícia 4.0 devolvem equipes mais rápido às ruas; o Projeto Vida acompanha condenados fora do regime fechado.
A PM também atua para impedir “fluxos” e irregularidades que fecham vias, com apoio municipal e Atividade Delegada. Em São José dos Campos, 292 PMs foram habilitados para autuar administrativamente adegas e eventos fora da lei, com multas de R$ 3.100 e possibilidade de penalidades maiores em reincidência, o que ajudou a derrubar indicadores.
Segundo a análise da PM, 73% das vítimas de homicídio têm reincidência por crimes graves e vínculo com facções. Apesar de “recordes” de prisões — mais de 8,4 mil no ano passado na área do CPI-1 — a reincidência é alta: 75% deixam o sistema rapidamente. O comando defende rever Código Penal, LEP e CPP para dar efetividade às penas.
Nos crimes contra a mulher, a “Cabine Lilás” oferece atendimento especializado via 190; casos com medida protetiva têm canal prioritário e fiscalização de monitorados. O 190 deve ser usado para emergências e o 181 para denúncias anônimas de crimes continuados.
Alves diz que a meta é consolidar ações estruturantes, manter a queda por anos e “deixar a região no lugar que deve estar: segura, próspera e preparada para receber turismo”, sem ignorar críticas que ajudam a corrigir rotas.

Coronel Luiz Fernando Alves

