Justiça autoriza a 1ª Marcha da Maconha em Caraguatatuba, e Prefeitura cumpre decisão sob protesto silencioso
O município de Caraguatatuba foi palco de uma decisão inédita e, ao mesmo tempo, polêmica. Por determinação judicial do juiz Eduardo de França Helene, a cidade recebeu autorização para a realização da 1ª Marcha da Maconha, evento que promete movimentar o debate sobre drogas, liberdade de expressão e uso medicinal do canabidiol.
Em nota oficial, o Governo Municipal de Caraguatatuba deixou claro que a liberação não partiu de iniciativa da Prefeitura, mas do cumprimento obrigatório da decisão da Justiça. O comunicado reforça a posição contrária da administração ao uso de qualquer substância ilícita, ao mesmo tempo em que ressalta o respeito às determinações judiciais — um equilíbrio delicado entre convicção e dever institucional.
O texto destaca ainda que, por se tratar de um tema sensível e de grande impacto social, o governo acredita ser mais apropriado promover um fórum aberto à população, voltado ao debate sobre o uso medicinal do canabidiol, afastando-se da ideia de apologia ou incentivo ao uso recreativo da maconha.
Durante audiência realizada no dia 2 de outubro, a associação organizadora foi advertida formalmente de que o consumo recreativo durante a passeata não será permitido nem tolerado, e que agentes de segurança estarão presentes em todo o percurso para garantir o cumprimento rigoroso da decisão judicial.
Mesmo contrária ao evento, a Prefeitura afirma que cumprirá integralmente as obrigações legais relativas à organização de trânsito, controle de tráfego e isolamento parcial das vias. A prioridade, segundo o governo, segue sendo “zelar pela ordem pública, a segurança dos cidadãos e o respeito às leis”.
Entre a polêmica e a obediência judicial, Caraguatatuba se vê agora diante de um novo capítulo em sua história social: o da discussão aberta sobre o uso da maconha — um tema que divide opiniões, mas que, por decisão da Justiça, já não pode mais ser silenciado.

