Sábado, Março 7, 2026
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Alexandre Frota: de herói de ocasião em Cruzeiro à queda previsível em Cotia

Alexandre Frota voltou a ser notícia — e, como de costume, não foi por algo que o dignifique. O ex-ator pornô, ex-deputado federal e agora ex-vereador de Cotia teve o mandato cassado após ser condenado por calúnia e difamação contra o ex-deputado Jean Wyllys. A ironia é que, dias atrás, ele andava aqui por Cruzeiro, se apresentando como uma espécie de justiceiro de ocasião no caso do desaparecimento da jovem Bruna Oliveira da Silva. Com câmeras ligadas e tom messiânico, Frota prometia respostas, cutucava as autoridades locais e fazia pose de quem está salvando o mundo, quando na verdade parecia mais interessado em salvar a própria imagem em ruínas.

A presença de Frota em Cruzeiro foi um espetáculo à parte. Enquanto policiais, bombeiros e voluntários faziam o trabalho sério e discreto de buscas, ele aparecia com drones, coletes e declarações inflamadas — como se cada passo seu merecesse uma transmissão ao vivo. No fundo, o que se via era o velho roteiro de sempre: o homem que chega atrasado à tragédia, aponta o dedo para o poder local e tenta transformar dor em palco. Frota é mestre em performar indignação, aquele tipo de personagem que transforma qualquer causa em cenário, qualquer dor em oportunidade de projeção. Veio, fez barulho, provocou as autoridades cruzeirenses e saiu como entrou: cercado de câmeras e frases prontas.

Agora, em Cotia, o destino cobrou o preço de tanta encenação. O mesmo homem que dizia defender a moral e a justiça foi derrubado por uma condenação judicial que já transitou em julgado — ou seja, sem possibilidade de recurso. Frota perdeu o mandato porque a Câmara Municipal de Cotia foi obrigada, por força da Constituição Federal e da Lei Orgânica do Município, a declarar a perda do cargo em razão de sentença criminal definitiva por crime doloso. Em termos simples: ele foi condenado por espalhar uma notícia falsa sobre Jean Wyllys, atribuindo-lhe uma fala inexistente em defesa da pedofilia — uma mentira que viralizou nas redes e lhe custou caro. O caso se arrastou por anos na Justiça e terminou com a confirmação da condenação por calúnia e difamação. Assim, a Câmara apenas cumpriu a lei: quem tem condenação criminal transitada em julgado por crime intencional perde automaticamente o direito de exercer mandato eletivo.

Mesmo assim, Frota reagiu como sempre: com teatralidade. Em vídeo nas redes sociais, afirmou que “tentaram calá-lo”, que “ninguém imaginava que isso pudesse acontecer”. É sempre o mesmo discurso: quando ataca, é coragem; quando é punido, é perseguição.

A passagem de Frota por Cruzeiro encaixa-se com perfeição nesse roteiro: o homem que desconfia de todos, questiona instituições, tenta desmoralizar autoridades e se coloca como último bastião da verdade. Só que a verdade, no caso dele, é feita de espetáculo, não de substância. É o mesmo personagem que já se reinventou mil vezes — do set pornô à tribuna, da ficção à política —, sempre surfando nas ondas do escândalo. Ele gosta da lama, mas diz nadar em nome da moral.

Cruzeiro, que o recebeu com desconfiança, talvez tenha presenciado um ensaio daquilo que viria poucos dias depois: a derrocada pública de um homem que parece não saber viver fora do caos. Quando Frota apareceu aqui com seu tom de herói indignado, tentando colocar em cheque as autoridades cruzeirenses, já carregava o peso de uma condenação às costas. E é difícil não perceber a coincidência — ou o símbolo — de alguém que tenta se colocar como juiz enquanto já está sendo julgado.

A cassação de Alexandre Frota não é apenas o fim de um mandato. É o colapso de uma narrativa que ele mesmo construiu: a do moralista oportunista, que se alimenta do barulho e foge do silêncio da coerência. A política, para ele, nunca foi espaço de construção — sempre foi palco. Em Cruzeiro, ele encontrou uma plateia atenta; em Cotia, o cenário desabou. E no teatro político brasileiro, há personagens que vivem de aplauso, mesmo que o espetáculo seja uma tragédia.

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