Fogo no Embaú Mirim: maior incêndio recente de Cruzeiro é controlado após oito dias de destruição e combate intenso
Depois de mais de uma semana de tensão, trabalho árduo e noites maldormidas para brigadistas, bombeiros e voluntários, o incêndio que consumia uma extensa área de preservação em Cruzeiro foi declarado extinto nesta quarta-feira (17). As chamas começaram no dia 9, na região do Embaú Mirim, e só foram controladas após oito dias de luta constante contra um inimigo invisível e devastador: o fogo.
Segundo a Defesa Civil, a área destruída equivale a 94 campos de futebol. O órgão estadual classificou o episódio como “um dos maiores incêndios recentes da região”, pelo tamanho da devastação e pela complexidade da operação. Árvores centenárias, espécies da fauna silvestre e parte significativa do equilíbrio ambiental local foram comprometidos pelas chamas que se alastraram rapidamente, deixando um rastro de destruição e um cenário de cinzas onde antes predominava o verde.
O combate ao incêndio exigiu a união de forças. O Corpo de Bombeiros atuou lado a lado com brigadistas especializados, voluntários da comunidade e a Defesa Civil. Para enfrentar o fogo, que se espalhava por encostas íngremes e mata fechada, foi necessário o apoio aéreo: helicópteros Águia da Polícia Militar lançaram toneladas de água sobre os focos mais agressivos, enquanto aviões de asa fixa reforçavam as descargas nas áreas de difícil acesso. O trabalho foi dificultado pelo relevo acidentado e pela densidade da vegetação, que impediram o acesso terrestre em diversos pontos.
De acordo com a Fundação Florestal, a principal hipótese para o início do incêndio é que um fio elétrico tenha caído em meio à mata dentro de uma propriedade particular. O incidente teria provocado a primeira fagulha, suficiente para transformar parte da paisagem em um cenário de fumaça e devastação. Autoridades ressaltam que a combinação de tempo seco, baixa umidade e ventos fortes funcionou como combustível natural, potencializando a tragédia ambiental.
Mesmo com o fim das chamas em Cruzeiro, o clima é de preocupação em todo o Vale do Paraíba. A estiagem prolongada mantém o risco de novas queimadas em nível elevado, e a previsão é que a falta de chuvas persista pelo menos até o final da semana. Moradores da zona rural relatam que o cheiro de fumaça e a fuligem no ar ainda permanecem, como marcas de dias que entrarão para a história da cidade.
O prefeito Kleber Silveira lamentou a destruição e destacou o esforço conjunto das equipes envolvidas. “Foi um momento difícil para todos nós, mas mostramos união e coragem para enfrentar esse incêndio de grandes proporções. Quero agradecer a cada bombeiro, brigadista, voluntário e a todas as forças que se dedicaram incansavelmente. Agora, nosso compromisso é trabalhar pela recuperação da área e reforçar a prevenção para que tragédias como essa não voltem a acontecer”, afirmou.
Cruzeiro, que já convive com os desafios da urbanização e da preservação ambiental, agora carrega o peso de contabilizar os prejuízos dessa queimada que ficará registrada como uma das maiores já enfrentadas no município.


