“Herói no campo de batalha”: João Vitor, jovem brasileiro morto na guerra da Ucrânia, é enterrado em São José
O adeus a João Vitor, jovem militar brasileiro de apenas 24 anos, comoveu familiares, amigos e toda a comunidade de São José dos Campos no último domingo (14). Natural de Jacareí, ele perdeu a vida em julho, vítima de um ataque de míssil durante a guerra na Ucrânia. A chegada do corpo ao Brasil marcou o fim de uma longa espera e o início de uma despedida carregada de dor, mas também de orgulho.
Desde criança, João Vitor demonstrava paixão pela vida militar. Ao lado do irmão gêmeo, participava de desfiles cívicos fardado, sonhando com o futuro que viria. Aos 18 anos, concretizou esse desejo ao ingressar no Exército Brasileiro, onde serviu por cinco anos. Movido pela vocação de proteger e pelo desejo de enfrentar novos desafios, pediu baixa e tomou a decisão que mudaria sua vida: alistar-se no Exército da Ucrânia.
Segundo a família, João dizia que defender os seus era fácil porque era por amor, mas que proteger desconhecidos exigia ainda mais coragem. Essa convicção o levou a embarcar no início do ano para o Leste Europeu. Após treinamentos, passou a atuar na infantaria, sempre mantendo contato diário com o pai em Jacareí. A comunicação, no entanto, foi abruptamente interrompida. Dez dias depois, veio a confirmação oficial pelo Itamaraty: João havia sido morto no dia 21 de julho, quando um míssil atingiu a base onde estava.
Antes de sua última viagem de volta ao Brasil, João recebeu honras militares na Ucrânia. Os hinos nacional, ucraniano e da unidade em que servia foram executados, e soldados se ajoelharam em sinal de agradecimento. “Foi tão honroso o que fizeram. Todos se curvaram diante dele. Isso me deu forças”, relatou o pai emocionado.
O Exército ucraniano assumiu todos os custos de repatriação até o Aeroporto de Guarulhos. No sepultamento em São José, o clima era de comoção profunda. O irmão gêmeo, visivelmente abalado, confessou sentir que “metade dele se foi”. Mesmo entre lágrimas, a família escolheu ressaltar o orgulho. “Ele acreditava no que fazia. Morreu como soldado, mas será lembrado como um herói”, declarou o pai.
O jovem, que partiu com a coragem de defender vidas em um país estrangeiro, agora descansa em sua terra natal, deixando uma história marcada pela bravura e por um legado que será sempre lembrado.


