“Chorei ao ver meu cartaz na rua”: a vida dupla de Babi Palomas, dog walker de Pinda que viralizou
A trajetória de Babi Palomas, de 24 anos, moradora de Pindamonhangaba, tem emocionado e causado curiosidade nas redes sociais desde que ela revelou os bastidores de sua chamada “vida dupla”. Apaixonada por animais desde criança, ela decidiu transformar o amor pelos bichos em trabalho, espalhando cartazes simples pela cidade para oferecer serviços de dog walker. O momento em que viu o primeiro cartaz afixado em um poste foi descrito por ela como um divisor de águas. “Chorei quando vi meu cartaz na rua. Para mim, aquilo era a prova de que eu estava construindo algo honesto e real, de que estava começando a construir um futuro com as minhas próprias mãos”, contou, lembrando da mistura de nervosismo e esperança daquele dia.
O que quase ninguém sabia é que, enquanto dedicava as manhãs e tardes aos passeios com cães, Babi também mantinha uma rotina paralela no ambiente digital. Ela atua como criadora de conteúdo adulto em plataformas como Privacy e OnlyFans, onde já conquistou quase 100 mil curtidas, além de uma base de fãs fiéis. No Instagram, seu perfil de fotos e vídeos sensuais ultrapassou a marca de 200 mil seguidores, tornando-se uma fonte de renda estável e significativa. Entre os dois universos, Babi encontrou um equilíbrio que parecia funcionar bem: durante o dia, correndo atrás de bolinhas, coleiras e patas ansiosas para passear; à noite, produzindo conteúdo que lhe deu independência financeira e reconhecimento em outro tipo de público.
Mas a aparente harmonia começou a ruir quando sua vida dupla foi descoberta por uma cliente. Babi relata que, de um dia para o outro, o julgamento tomou o lugar da confiança. “Recebi a mensagem dizendo que não queriam mais que eu passeasse com o cachorro porque sabiam da minha vida online. Foi como se todo o meu esforço e amor pelos cães não significassem nada”, desabafou. A cliente em questão era dona de um bulldog francês chamado Trumpinho, e, segundo Babi, depois desse episódio outros clientes também se afastaram, espalhando a informação pela cidade e alimentando debates nas redes sociais.
A repercussão foi imediata. Nas plataformas digitais, muitos internautas se dividiram entre o apoio e a crítica. De um lado, comentários de pessoas que defendem seu direito de exercer duas atividades diferentes; de outro, julgamentos carregados de preconceito, que questionavam sua credibilidade no trabalho com animais. Para Babi, a sensação foi de frustração, mas também de resistência. “As pessoas esqueceram de olhar para o lado mais simples e humano. Eu só queria trabalhar, passear com os cachorros e também conquistar a minha independência. Mas para muita gente isso parecia inconciliável”, relatou.
Apesar das dificuldades, ela garante que não pensa em desistir de nenhuma das duas áreas que escolheu. Os passeios com os cães, segundo ela, são uma espécie de terapia. “Quando vejo os cachorros abanando o rabo, pulando de alegria, eu esqueço o julgamento. Eles não ligam para a minha vida online, só querem amor e um bom passeio”, disse, reforçando que os animais são seu refúgio emocional. Ao mesmo tempo, ela valoriza o espaço que conquistou no universo digital, que lhe garante autonomia financeira e liberdade para fazer suas próprias escolhas.
Hoje, Babi Palomas se define como uma mulher que abriga duas versões de si mesma, e ambas são igualmente importantes. “Sou a garota que chora ao ver seu cartaz na rua e também a mulher que conquistou independência de outra forma. As duas vivem em mim, e não vou abrir mão de nenhuma”, afirmou. Entre críticas e aplausos, a história de Babi escancara não apenas os dilemas de quem leva uma vida dupla, mas também o quanto a sociedade ainda carrega julgamentos sobre profissões fora do padrão tradicional. Para ela, a resposta está nos sorrisos de cada cão que encontra pelo caminho e na coragem de continuar sendo quem é, em qualquer que seja o cenário.


