Sábado, Março 7, 2026
Cidades

Família processará Estado após ter casa dominada pelo tráfico em Taubaté

O drama de uma idosa e sua família em Taubaté ganhou novos capítulos e deve parar na Justiça. Expulsos de sua própria residência por traficantes, eles decidiram mover uma ação contra o Estado, cobrando indenização pela perda do imóvel, que foi transformado em ponto de venda de drogas no bairro Esplanada Santa Terezinha.

Apesar de uma operação da Força Tática ter prendido criminosos no local na última quarta-feira (3), a sensação de insegurança persiste, e a família afirma não ter condições de retornar para a casa onde viveu por mais de três décadas. A idosa, marcada pelo medo e pela violência sofrida, agora vê no processo judicial a única forma de buscar reparação.

O sofrimento começou em 2024, quando traficantes passaram a usar o telhado da casa como esconderijo para entorpecentes. A idosa, então, decidiu alugar o imóvel. Porém, com a saída do inquilino em janeiro deste ano, a residência foi ocupada definitivamente pelo crime. Em pouco tempo, os traficantes tomaram conta de todos os cômodos e chegaram a escrever nas paredes a frase: “É o QG do crime”.

Sozinha, sem a presença das filhas que já haviam constituído suas próprias famílias, a idosa se tornou alvo fácil. “Eles levantavam telhas, escondiam drogas dentro de casa, comigo lá dentro. Cheguei a pedir para pararem, mas recebi ameaças. Um deles disse que tinha acabado de sair da prisão e não sairia dali, porque era a lojinha do tráfico”, contou, emocionada, em entrevista.

A violência obrigou a família a retirar a idosa às pressas. Muitos pertences ficaram para trás, e a mudança improvisada foi feita com ajuda das filhas. Hoje, parte dos móveis e objetos está na casa de uma delas. A idosa também pediu o corte do fornecimento de água, mas acredita que os criminosos tenham impedido. A dívida da conta já ultrapassa R$ 10,6 mil. Com a voz embargada, ela relembra a história construída na casa: “É onde meus filhos cresceram, onde morei com minha mãe e meu padrasto. Nunca tive problema com ninguém, nunca mexi com nada. De repente, virei alvo dessa injustiça. A casa está destruída”.

Sem perspectivas de voltar ao imóvel, a família agora aposta na Justiça. “Pegamos um advogado e vamos pedir indenização do Estado”, declarou um dos familiares. Eles alegam que houve falha na proteção à cidadã, permitindo que a casa fosse sequestrada pelo tráfico.

A prisão de três suspeitos foi resultado de uma operação da Força Tática do 5º BPM/I. Durante a ação, alguns tentaram fugir pelos telhados, mas foram monitorados por drone e capturados em solo. Foram apreendidos cinco tijolos de maconha, 101 porções da mesma droga já embaladas, 115 pinos de cocaína, 204 porções de crack e dinheiro proveniente do tráfico.

Questionada, a Prefeitura de Taubaté informou que o imóvel é de propriedade particular, cuja regularização fundiária foi concluída em agosto de 2023, e que cabe ao proprietário acionar as forças de segurança e recorrer ao Judiciário em caso de invasão. A administração destacou ainda que atua de forma integrada com a polícia e que a cidade conta com mais de 2.700 câmeras de monitoramento, além da Romu (Ronda Ostensiva Municipal) e do Projeto Sentinela, para ampliar a vigilância nos bairros.

Enquanto isso, a idosa segue vivendo longe do lugar que um dia foi sinônimo de lar. Para ela e sua família, resta a esperança de que a Justiça faça o que o Estado não conseguiu: devolver a dignidade e reparar parte do que foi perdido.

Atividade de tráfico na casa em que a idosa foi expulsa por traficantes

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