Mistério, sangue e silêncio no DCTA: soldado de 19 anos é encontrado morto com tiro no peito, e a FAB abre inquérito
Na madrugada silenciosa de domingo, um estampido ecoou entre os prédios do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos. Poucos segundos, e o que parecia ser apenas mais uma noite de serviço militar se transformou em uma tragédia de contornos sombrios. O soldado Matheus Kyoshi Takei da Silva, de apenas 19 anos, tombou com um tiro no peito, deixando para trás um enigma que agora desafia a própria Força Aérea Brasileira.
A FAB confirmou que instaurou um inquérito policial militar para investigar as circunstâncias da morte. O corpo do jovem foi sepultado na manhã de segunda-feira (8), sob lágrimas e incredulidade da família. O boletim de ocorrência, frio e objetivo, classificou o episódio como “morte suspeita” e “suicídio consumado”.
O DCTA, em nota, não escondeu a consternação. “O Departamento lamenta profundamente o ocorrido e já prestou imediato apoio à família do militar, oferecendo toda a assistência necessária neste momento de dor.” Mas a dor, essa, ninguém aplaca.
As primeiras informações apontam que Matheus já havia apresentado problemas psicológicos e pensamentos suicidas. Ainda assim, no último domingo, aparentava estar calmo, sereno, no cumprimento de sua rotina no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). As câmeras de segurança registraram, às 2h20, o soldado caminhando sozinho na direção de um dos prédios. Oito minutos depois, às 2h28, um vigia da portaria ouviu o estampido seco, metálico, que rompeu a madrugada.
A ausência do militar só foi percebida às 4h50, durante a troca de turno. A partir dali, iniciou-se uma busca desesperada em uma área de mata fechada, de difícil acesso, até que, por volta das 7h, o corpo foi encontrado. Matheus jazia sem vida, sem camisa, o peito aberto por uma perfuração, o chão tomado pelo sangue. Ao lado, sua arma de serviço, uma cápsula deflagrada e munições intactas — peças mudas de um quebra-cabeça que agora cabe à perícia montar.
O boletim de ocorrência também trouxe à tona uma ferida recente na vida do jovem: uma desilusão amorosa. Informalmente, militares relataram que Matheus havia iniciado um relacionamento, comprara uma aliança, mas a pessoa amada se mudou de Estado, deixando-o abatido. Mais uma sombra que se somou ao peso psicológico que carregava.
As autoridades apreenderam o celular e a arma do soldado. Foram requisitados exames residuográficos para confirmar o disparo, análise do armamento, das munições e do projétil encontrado. A perícia também examinará o telefone em busca de mensagens, registros ou rastros digitais que possam explicar os últimos passos do jovem militar.
Enquanto o inquérito policial militar busca respostas, o caso mergulha o DCTA em silêncio e dor. Famílias, amigos e companheiros de farda se perguntam: o que realmente aconteceu naquela madrugada? Um gesto desesperado de um jovem em sofrimento, ou algo ainda encoberto pelo véu do mistério?
Naquele domingo, a noite terminou em tragédia. E o que restou foi a imagem de um soldado de 19 anos, que, mesmo cercado por tecnologia e disciplina, sucumbiu ao peso invisível de suas próprias batalhas.

