Lavagem milionária: esquema com base em São José dos Campos movimentou R$ 480 milhões
“Era uma verdadeira lavanderia de dinheiro.” A frase do delegado Edmar Caparroz, responsável pela Operação Cineris, traduz a dimensão de um esquema criminoso internacional de golpes virtuais e lavagem de dinheiro desmantelado pela Polícia Civil de São Paulo em parceria com o Ministério Público. Segundo as investigações, a quadrilha, com forte ligação em São José dos Campos, movimentou mais de R$ 480 milhões em apenas oito meses.
As apurações revelam que o grupo não se limitava a enganar vítimas pela internet. Além dos próprios golpes, os investigados também ofereciam serviços de lavagem de dinheiro a facções criminosas, ampliando ainda mais o alcance da rede.
A megaoperação mobilizou 97 policiais civis, com apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Grupo Especial de Reação (GER) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e sete de prisão nas cidades de São Paulo, São José dos Campos e Ibiúna. “Não era só os golpes que aplicavam, mas também ofereciam serviços a outras organizações”, explicou Caparroz.
As investigações começaram no 1º Distrito Policial de Rosana, no interior paulista, após denúncia de uma vítima. A polícia identificou que o grupo operava por meio de um site hospedado em Istambul, na Turquia, que simulava investimentos financeiros com promessas de altos rendimentos. As vítimas transferiam dinheiro para contas digitais abertas em nome de “laranjas”. Em seguida, os criminosos assumiam o controle dessas contas e repassavam os valores para empresas de fachada. Para dificultar o rastreamento, eram usadas fintechs e gateways de pagamento, que funcionavam como intermediários entre os sites e as instituições financeiras.
Com essa estrutura, a quadrilha aplicava golpes e também prestava serviços de ocultação de valores para organizações criminosas nacionais e internacionais. Parte significativa desse fluxo passava por São José dos Campos, apontada como base estratégica do esquema para movimentação financeira e suporte às operações de fachada.
A Polícia Civil informou que as diligências continuam para rastrear outros envolvidos e identificar bens adquiridos com os recursos ilícitos, como imóveis, veículos de luxo e ativos digitais. O objetivo é ampliar o bloqueio de valores e responsabilizar financeiramente os investigados.
“Estamos diante de uma organização altamente estruturada, que movimentava quantias bilionárias em potencial e oferecia serviços a facções. O trabalho agora é aprofundar a quebra das estruturas financeiras desse grupo”, afirmou Caparroz.
A Operação Cineris evidencia a sofisticação crescente dos crimes virtuais e os enormes desafios das autoridades no combate à lavagem de dinheiro em escala internacional.


